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Um suspiro aos restaurantes

Restaurateur Edrey Momo faz análise da profissão e conta quais medidas devem ser tomadas para garantir a sobrevivência do setor de alimentos e bebidas

Ser dono de restaurante, ou restaurateur, (que tem um pouco mais de “glamour”, mas não muda nada) é definitivamente uma insanidade. Entendam como dono de restaurante todo mundo que está na área. Do cozinheiro (ou chef, lembra do glamour?) até o dono de boteco passando pelas baladas e bares bacanas.

E de onde vem essa insanidade? Com essa pandemia aflorou tudo. Pandemia de sensações nas nossas cabeças. Não sou simplesmente um empresário. Eu sou dono de restaurante e confesso é bem mais complexo.

Por Edrey Momo

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Primeiro que nossos dias e horários são completamente invertidos aos das pessoas normais. Tipo um Feitiço de Áquila que, enquanto todo mundo se diverte, a gente está com a barriga no fogão.

Não bastasse essa agonia de não poder se “divertir” normalmente, ficamos malucos com um dilema. Quando nosso negócio está vazio, ficamos tristes. Quando nosso negócio está cheio, ficamos preocupados. Não tem escapatória. Ou paga boleto ou atende mal. Tem cliente chato e nós não temos garçons na geladeira estocados. Quer saber do pior? Não tem lógica nem previsibilidade nenhuma.

Você se prepara para um final de semana, coloca a equipe toda em ordem e chove aos cântaros. Um fica olhando para o pé do outro para ver quem está sem meias. Aí, janeirão, férias, o maior Sol… você aproveita para dar férias para o pessoal e algum blogueiro posta o seu restaurante. Pronto, já era! Começa a correria. Nessas, você carrega bandeja, corre pro fogão, tira pedido, pede pra todo mundo dar um gás e no final toma uma cerveja com a galera comemorando que sobreviveu ou contando quantos clientes não reclamaram ou foram embora porque não quiseram esperar.

Ah, tem essa também. Pensa em um negócio em que o cliente adora dar opinião. E o pior não é pra você, mas sim para o mundo virtual. Criticam sem saber fritar um bife. Alguns. A maioria elogia, confesso. Mas é complexo. Nunca vi mídia social em lavanderia, escritório de contabilidade etc. Talvez porque hoje as pessoas mais fotografam do que comem. Jamais tiraria foto do meu terno bem lavado.

É uma loucura boa, confesso. Um dia diferente do outro. Um negócio que precisa de tesão para encarar.

E porquê??

Simples. A gente se apega aos clientes, ama nossos funcionários e admira nossos fornecedores que ralam para atender a gente com os pedidos mais estúpidos e fora de hora.

É uma mistura de amor e resiliência. A resiliência vem do amor ou é o amor que dá resiliência?

Enfim, escreveria um livro se fosse o caso (talvez eu até faça na quarentena), mas o que mais precisamos agora para manter essa roda girando, esse mercado funcionando, atendendo e empregando milhões de pessoas é uma ajuda do nosso governo. São pouquíssimas ações, entretanto, fundamentais para nosso setor. Só quatro pontos que descrevo melhor abaixo.

Funcionários, Impostos, Concessionárias e Crédito.

Demandas do Setor de Restaurantes, Bares e Afins

  • Colaboradores

Ajuda/Abono/Seguro salarial para os colaboradores do setor pelo período que durar a crise. Nesse caso acredito até no tripé (1/3 paga o empregador, 1/3 paga o governo e 1/3 o colaborador abre mão). Obviamente que esse cenário seria o mais apertado. O ideal é o que a ANR/Abrasel chegou a cogitar – entre um e dois salários da categoria suportados integralmente pelo governo.

  • Impostos

Creio que os impostos relativos aos trabalhadores (INSS e FGTS, basicamente) deveriam estar suspensos. Os impostos que incidem sobre as vendas (ICMS, PIS, Cofins e Simples) provavelmente não existirão pela ausência de faturamento e compra de insumos, então teriam pouco impacto, imagino. Basicamente nesse tópico os governos municipais deveriam abrir mão do pagamento de IPTU, o qual impacta bastante dependendo do local do negócio.

  • Concessionárias

Em relação aos consumos de energia, água e gás creio que seja possível acumular os valores das contas do período de crise. E, depois, que ocorra um parcelamento a partir de 2021, em 48 parcelas.

  • Bancos

Leia: Carta aberta às instituições bancárias

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