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Malbec World Day 2020

O dia da Malbec chega a sua 10ª edição. Listamos opções que entregam qualidade e personalidade em uma faixa de preço mais acessível

Dia 17 de abril é comemorado o dia da Malbec. Nesta data, em 1853, o então jornalista e escritor, que depois se tornaria presidente da Argentina, Domingo Faustino Sarmiento propôs a criação de uma escola de agronomia e uma estacão agrária experimental, chamada Quinta Normal. Sarmiento. Por acaso, é o nome em espanhol dado ao broto da videira que sustentará as varas, folhas e cachos das uvas. O modelo de estação experimental, então, foi trazido do Chile, onde o francês Michel Pouget dirigia o berçário de espécies de plantas europeias e analisava a adaptação às condições locais. Pouget chegou à Mendoza para dirigir a Quinta Normal em 1853 e, entre as videiras, trouxe mudas de Cabernet Sauvignon, Pinot Noir e… Malbec.

Historicamente conhecida pela presença nos vinhos de Cahors, a Malbec nunca recuperou sua posição em território francês após a devastação causada pela praga da filoxera. A partir daí, a ótima adaptação da Malbec às condições semi-desérticas e de alta altitude de Mendoza aceleraram a propagação da variedade e o estilo desenvolvido nos vinhos conquistou cada vez mais consumidores pelo mundo. Claro que houveram ciclos de altas e baixas, de diferentes estilos de Malbec bem sucedidos ao longo das décadas. Mas no geral, a casta, além de mostrar aptidão no campo, trouxe algo novo ao mundo do vinho; um tinto potente, expressivo e exuberante no perfil frutado, mas ao mesmo tempo macio, pouco agressivo em termos de taninos e acidez.

Panorama atual

Hoje a Malbec ocupa cerca de 22% da área de vinhedos do país e cerca de 40% da superfície de vinhedos plantados com uvas tintas. Como também já se pode constatar nos rótulos disponíveis no mercado, a marcha atual é tratar dos lugares onde a Malbec é cultivada. São, portanto, as microexpressões, de parcelas de terrenos minúsculas, que mostram nuances que a variedade pode expressar na taça. Obviamente este trabalho microscópico no vinhedo é sentido no preço pedido, mas o mais importante é que, em boa parte, isto faz sentido. Nota-se a diferença de um Malbec de Luján de Cuyo e um Malbec de Uco; ou ainda mais, nota-se a diferença entre um Malbec de Las Compuertas (zona dentro de Luján) e Gualtallary (zona dentro de Uco), por exemplo.

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Mas nem só de ícones vive um mercado. E felizmente, para os enófilos, há na base e no meio da pirâmide, uma ampla gama de vinhos capazes de entregar todas as características da Malbec. Isso acontece cada vez de forma mais pura. E, como consequência, os estilos se tornam cada vez mais claros, uma boa ferramenta para o consumidor.

O dia da Malbec chega a sua 10ª edição. Para comemorar a data listamos aqui algumas opções que entregam qualidade e personalidade em uma faixa de preço um pouco mais acessível. Saúde!

Callia Malbec 2019

San Juan, Argentina

R$ 59,90 – Pão de Açúcar

Um clássico nas mesas dos restaurantes. Este sucesso está tanto no bom preço quanto no seu caráter didático sobre a Malbec. Fruta negra madura em abundância, toque tostado, taninos redondos e acidez nada agressiva.

 

Trivento White Malbec 2019

Mendoza, Argentina

R$ 59,99 – VCT

Uma novidade intrigante. Um vinho branco (levemente salmão) feito de Malbec. No nariz tem as notas que faz lembrar a Malbec, com frutas negras frescas e toque de ervas, na boca, fruta branca (maçã) e cítricos, com uma ótima acidez. Para surpreender.

Alto las Hormigas Malbec Classico 2018

Luján de Cuyo (Mendoza) – Argentina

R$ 97,20 – World Wine

Um vinho que entrega mais que promete. Além da fruta negra típica, os florais e mentolados aumentam a complexidade, com uma dimensão extra dada pela textura dos taninos e integração dos componentes na boca.

Fabre Montmayou Temporada Malbec 2018

Mendoza, Argentina

R$ 83,93 – Premium

Produtor que tem propriedades em Mendoza e na Patagônia. Aqui um Malbec sem frescuras e sem madeira. A fruta se mostra madura e fresca, com toque láctico. O frescor está no primeiro plano e o deixa bastante fácil para se beber.

Nieto Senetiner Malbec D.O.C. 2017

Luján de Cuyo (Mendoza), Argentina

R$ 87,90 – Casa Flora / Porto a Porto

Vinícola que tem se renovado positivamente nos últimos anos. A clássica expressão  potente e com fruta negra madura mas com taninos polidos e ótimo frescor. Os tostados e abaunilhado da madeira mostram presença no final.

Malbec Marcel 2017

Côte de Gascogne (Cahors), França

R$ 115 – Monvin (PNR)

Para se provar a expressão francesa da Malbec. Produzido por um dos produtores de ponta de Cahors, Château du Cèdre. Expressão mais comportada (apenas 12,5% de álcool) e gastronômica.

 

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Marcel Miwa

Especialista em serviço de vinhos pelo Senac-SP e jurado em diversos concursos internacionais de vinhos, desde 2015 Marcel Miwa está à frente do caderno de vinhos de Prazeres da Mesa.

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