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Noite de saudade

A quinta edição do Jantar Beneficente Chefs Contra o Câncer fez uma linda homenagem a dona Lucinha, uma das maiores referências na cozinha mineira

Em abril de 2019, Minas Gerais ficou em luto devido à perda de um dos principais nomes de sua gastronomia, dona Lucinha. Ela se foi aos 86 anos, mas seus ensinamentos ficaram e serão eternamente lembrados na história da culinária nacional. Prova disso foi o Jantar Beneficente realizado em sua homenagem durante o Mesa Ao Vivo Minas Gerais. A noite de gala Chefs Contra o Câncer já se tornou parte do calendário de Belo Horizonte e em sua quinta edição, além da solidariedade, o saudosismo também se fez presente.

“Estou muito orgulhosa em poder participar pela primeira vez, ainda mais com uma homenagem tão maravilhosa como essa”, disse Elzinha Nunes, filha de dona Lucinha. Junto dela estavam os chefs Leo Paixão, Kátia e Bianca Barbosa, Pedro Benoliel, Flávio Trombino e Diego Lozano.

O Museu Inimá de Paula foi escolhido para sediar o evento que tem 100% do lucro revertido à Casa de Acolhida Padre Eustáquio (Cape), ONG de Belo Horizonte que oferece amparo e estrutura para mais de 300 crianças que passam por tratamento oncológico.

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O jantar do Chefs Contra o Câncer

No início da noite, os comensais puderam desfrutar de um receptivo com o espumante Casa Valduga Sur Lie Brut Nature 2015 e deliciosos petiscos preparados por Kátia e Bianca Barbosa. “Eu queria mostrar que não fazemos só bolinho. Mas, claro, tive de trazer o de feijoada, senão não teria sossego”, afirmou Kátia, que junto da filha serviu também tapioca de açaí com tartar de sol, carne de caranguejo e dadinho de tapioca com goiabada crocante. “Eu quis homenagear o Rodrigo Oliveira, por isso trouxe o dadinho. Dei um toque mineiro pingando a goiabada por cima. Tudo o que estou servindo aqui é comida brasileira, simples e pura”, disse a chef do Aconchego Carioca.

Padrinho do Chefs Contra o Câncer e grande organizador do jantar, Leo Paixão ficou a cargo de iniciar o serviço no salão principal. Torresmo de pele de peixe, cioba e abacatada defumada e sagu de limão-cravo foram as escolhas do chef do Glouton, Bar do Nico e Nicolau para a noite especial. A entrada foi harmonizada com o vinho Domaine Horgelus Côtes de Gascogne Sauvignon/Gros-Manseng 2017.

Depois foi a vez de Elzinha Nunes recriar o prato favorito de sua mãe. “Eu fiz uma releitura do creme de espinafre com ora-pro-nóbis de que ela tanto gostava”, contou a chef, que serviu mousseline de espinafre com ora-pro-nóbis, banana-da-terra e queijo do serro. O prato com identidade e coração mineiros foi acompanhado do vinho Domaine Horgelus Côtes de Gascogne Sauvignon/Gros-Manseng 2017.

Os pratos principais

O primeiro prato principal da noite ficou a cargo de Pedro Benoliel. “Estou muito honrado em participar de uma ação como essa, que ajuda crianças. A Cape de Beagá fez um trabalho lindo de juntar à equipe de Prazeres da Mesa, o Leo Paixão, que hoje é uma das grandes referências da gastronomia daqui, Flávio Trombino, que também faz um trabalho incrível na cidade, e ainda por cima poder homenagear dona Lucinha, uma entidade da gastronomia mineira. Não posso deixar de enfatizar que o clima dos chefs no jantar foi de muita harmonia e de muita ajuda. Essa atmosfera nos influencia para deixarmos nossas casas e restaurantes para vir participar”, disse ele, que comanda o Ateliê Benoliel, no Rio de Janeiro.

Unindo suas heranças gastronômicas com as influências de suas viagens, Benoliel serviu um peixe sefaradi-cherne com beurre blanc, hummus de beterraba e frutos secos. De Cordislândia, cidadezinha que fica a cerca de 300 quilômetros de Belo Horizonte, o vinho escolhido para harmonizar foi o Luiz Porto Chardonnay Terroir de Inverno 2016, uma das boas surpresas dessa nova região vinícola.

Flávio Trombino, do Xapuri, ficou responsável pela última etapa quente da noite. Exaltando seu estado, ele serviu o tutu bêbado com leitão. A receita, que foi criada para seu prato da Boa Lembrança de 2019. Ela leva um leitão desossado com rôti de cabeça de leitão, tutu flambado na cachaça e farofa de torresmo. O prato foi acompanhado do vinho uruguaio Lucca Libero Tannat Reserva 2016.

A sobremesa

“Mineirês”, esse foi o nome da sobremesa de Diego Lozano para o jantar beneficente. Nada mais justo do que um doce bem mineirinho para encerrar a noite em homenagem a dona Lucinha. A sobremesa, que era uma espécie de mil-folhas, foi feita com massa folhada caramelizada, doce de leite, queijo de cabra, chantilly de baunilha e calda de chocolate. O vinho escolhido para escoltar a sobremesa foi o rosé Quevedo Porto.

 

*Reportagem publicada na edição 198 de Prazeres da Mesa

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Stephanie Vapsys

Foi vendendo cupcakes na feira de empreendedorismo da escola, aos 15 anos, que Stephanie Vapsys se encantou pela confeiteira e, posteriormente, pela gastronomia. A jovem que nunca recusa um docinho ou um convite para jantar, decidiu cursar jornalismo na Faculdade Cásper Líbero por ser fã de literatura e fascinada por contar boas histórias. Desde 2015, na redação de Prazeres da Mesa, a repórter teve a oportunidade de conviver diariamente com sua grande paixão. Depois de grandes contribuições, partiu para novos desafios no início de 2020, deixando a equipe de Prazeres da Mesa.

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