
Em Santiago do Chile, no setor de Peñalolén, na zona leste da cidade e aos pés da imponente Cordilheira dos Andes, encontra-se a Viña Aquitania: uma vinícola rodeada pela cidade, que cresceu nos últimos 34 anos e construiu sua identidade sob uma premissa clara; não produzir volume, mas o melhor produto do Maipo Alto.
A experiência começa de uma forma pouco habitual. O próprio enólogo Felipe de Solminihac, sócio fundador da vinícola e professor da Pontifícia Universidade Católica do Chile, formador de gerações de enólogos e assessor de importantes projetos vitivinícolas do país, recebe os visitantes. Felipe não transmite apenas conhecimento: ele transmite toda a sua paixão pelo que faz.
Desde o primeiro momento, o percurso e sua forma de falar convidam a entender que sua longa carreira como docente é ensinar e explicar didaticamente cada etapa da elaboração do vinho. Caminha-se em direção ao vinhedo e, no trajeto, ele para, pega uma folha, observa e diz: “A planta sempre fala… é preciso aprender a escutá-la.”

Da terra à taça
Ao percorrer as videiras, ele explica seus ciclos: o vegetativo, em que a planta cresce e se desenvolve, e o ciclo reprodutivo, em que finalmente surge o fruto. Fala sobre o manejo da videira, o equilíbrio buscado e como cada decisão impacta diretamente o resultado final de um vinho premium.
“Estamos em um lugar muito particular: os pés da cordilheira dos Andes, na Quebrada de Macul. Esse entorno geográfico oferece condições únicas. As manhãs frias, a amplitude térmica entre o dia e a noite e a composição do solo geram uma expressão distinta na uva, e o Maipo Andes tem esse selo… essa influência direta da cordilheira que permite desenvolver vinhos com caráter, especialmente o Cabernet Sauvignon”, afirma.
Depois é o momento de seguir para a adega. Um espaço construído em tijolo e madeira que transmite uma sensação de tradição e acolhimento. Por lá, Felipe detalha o processo de vinificação e, especialmente, o processo de maturação.
Ele para diante das barricas e explica as diferenças entre elas. Fala do carvalho francês, mais elegante e sutil; do carvalho americano, mais expressivo e aromático; e da encina, com um caráter mais estruturado. Também discorre sobre os tempos de maturação: o Chardonnay permanece cerca de 10 meses em barrica, enquanto Lázuli, seu vinho ícone, permanece entre 16 e 18 meses em barricas de carvalho francês.
No meio da conversa, faz uma pausa e conta parte da história da Aquitania: como esse projeto nasce nos anos 1990 com uma visão clara de criar vinhos de alta qualidade em escala controlada, respeitando a origem e o processo. Uma vinícola boutique no coração do Maipo Alto.
Em seguida, a degustação. Prova-se Lázuli 2020 e Sol de Sol, proveniente de Traiguén, no sul do Chile. Na taça, Lázuli se apresenta elegante, com aromas herbais, notas de frutas negras como cassis e berries, passagem suave e final longo. “O vinho é para ser desfrutado… não para complicar”, conclui o enólogo. E acrescenta ao provar o Sauvignon Blanc: “Para mim, os brancos não devem ser gelados… devem ser refrescados.”
Imponência ao redor
Quando parecia que a visita estava terminando, Felipe convida a subir ao torreão da vinícola, com uma vista de frente para a cordilheira dos Andes, que se transforma ao entardecer. As cores aparecem lentamente: vermelhos intensos, amarelos quentes e sombras profundas que percorrem a montanha.
O enólogo e docente olha a paisagem e comenta: “Este é um lugar mágico… no inverno tudo está coberto de neve e no verão há esses pores do sol de cores maravilhosas. Olha!”
De um lado, a cidade de Santiago. Do outro, a cordilheira imponente. Em linha reta, o cerro Punta de Damas, elevando-se a mais de 3.100 metros acima do nível do mar. Naquele momento, tudo se conecta. O vinho convida a desfrutá-lo, mas também a viver experiências como essa, que nos presenteia com uma vista impressionante.
Por Christian Villalobos (@Guiadelvino_org e @Dondeviajo)
Coordenadas
Peñalolén, Santiago do Chile (Maipo Alto)
Distância: 20 minutos do centro de Santiago
Visitas: Somente com reserva prévia



