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O lendário L’Ambroisie perde sua terceira estrela Michelin

Após décadas como um dos maiores templos da alta gastronomia francesa, o histórico restaurante parisiense inicia uma nova fase após a aposentadoria de Bernard Pacaud e a chegada do chef Shintaro Awa

Paris acordou esta semana com uma notícia capaz de mexer com os alicerces da gastronomia clássica. O L’Ambroisie, um dos restaurantes mais reverenciados da França e o mais antigo da capital a ostentar três estrelas Michelin de forma contínua, perdeu uma de suas distinções no novo guia.

A decisão encerra um ciclo que atravessou gerações de gourmets e consolidou o restaurante como um verdadeiro santuário da culinária francesa. Durante décadas, a cozinha comandada por Bernard Pacaud foi referência absoluta de precisão, elegância e respeito ao produto. Seus pratos clássicos, como a célebre torta de chocolate quente e o feuilleté de lagostins com molho de curry, tornaram-se parte do imaginário gastronômico europeu.

A mudança vem na esteira da aposentadoria de Pacaud, que se afastou do comando da cozinha após uma carreira exemplar. No lugar dele assume o jovem chef japonês Shintaro Awa, encarregado de conduzir um dos legados mais pesados da gastronomia contemporânea.

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Segundo o próprio Guia Michelin, a cozinha segue com alto nível técnico, mas o novo momento do restaurante ainda está em fase de afirmação. A avaliação reflete justamente esse período de transição: preservar o espírito da casa enquanto uma nova identidade começa a se desenhar.

A perda de uma estrela não diminui o peso histórico do L’Ambroisie, instalado na elegante Place des Vosges desde 1986. Ao contrário, reforça como o sistema Michelin continua sendo um dos termômetros mais rigorosos da alta gastronomia mundial. Poucos restaurantes permanecem décadas no topo sem oscilações.

Mas o episódio também reacende um debate cada vez mais frequente no universo gastronômico. Em tempos de redes sociais, chefs celebridades e novos modelos de restaurante, até que ponto as estrelas Michelin ainda determinam o que é excelência culinária?

Para muitos cozinheiros e clientes, a resposta continua sendo sim. Para outros, o guia já divide protagonismo com uma nova geração de críticos, plataformas digitais e experiências gastronômicas menos formais.

Entre tradição e renovação, o caso do L’Ambroisie revela algo maior do que a perda de uma estrela. Mostra que até os maiores monumentos da gastronomia vivem ciclos. E que, mesmo em Paris, capital da cozinha clássica, nenhuma lenda está completamente imune ao tempo.

 

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Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

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