O queijo das redes sociais
Os queijos Ribeiro Fiorentini foram conquistando espaço e, hoje, estão entre os melhores do Brasil
Por Ricardo Castilho
Quando usadas para o bem, as redes sociais são maravilhosas. No meio da maluquice que têm sido os últimos meses, consegui ter boas surpresas gastronômicas vindas de várias partes do Brasil por meio de mensagens recebidas. São pessoas que fizeram contato pelas redes e que, na sequência, mandaram seus produtos para degustação. Cada uma delas, além de produzir maravilhas com jeito e gosto de Brasil, tem histórias bonitas que merecem ser contadas. Foi assim que conheci os deliciosos, ricos e fantásticos queijos Ribeiro Fiorentini. Recebi quatro deles e a degustação foi dos grandes prazeres desses dias de muita reflexão e busca por conforto.

Claro que por trás dessas maravilhas está uma família que lutou e foi em busca de seus sonhos. A Ribeiro Fiorentini é uma queijaria familiar, administrada por Wagner Ribeiro, engenheiro de formação, e Izabela Fiorentini, fisioterapeuta, que formam o casal que começou a divulgar os produtos no grupo de mães do WhatsApp e para as amigas, e conseguiu com êxito escoar todas as peças produzidas. Mas, claro que apenas isso não bastava e a dupla foi, literalmente, bater de porta em porta e, principalmente, visitar todas as padarias de Governador Valadares, em Minas Gerais, onde estão localizados.
O empreendimento do casal começou a ganhar forma quando Wagner, depois de trabalhar por muito tempo em uma empreiteira, começou a querer ter negócio próprio. Em 2013, investiu em uma propriedade rural e começou a produzir leite para venda. A entrada no universo dos queijos só ocorreu em 2018, quase que por obrigação. “Na época da greve dos caminhoneiros, vendíamos toda a nossa produção de leite. Sem logística de caminhão para recolher a matéria-prima e com o tanque literalmente a ponto de transbordar, decidimos pela produção de queijos”, diz Wagner. E o resultado inicial não poderia ter sido melhor. “Buscamos formação, tomamos gosto, acertamos a mão, formamos clientela, debruçamos mais sobre a maturação e ganhamos medalhas no Prêmio Queijo Brasil e Mundial do Queijo do Brasil”, afirma, orgulhosa, Izabela.
A inspiração para os tipos que iriam produzir veio, claro, do Queijo Minas Artesanal e de alguns tipos franceses.

Todo leite é próprio da fazenda, o que é um grande diferencial na produção. Como sabemos, o queijo de leite cru começa na qualidade do pasto, na raça e na saúde das vacas, na higiene de ordenha, até findar na fabricação e maturação. E essa é a missão do casal, que não abre mão da busca de qualidade constante.
Mudança de hábito
O engraçado no mundo dos queijos é que uma parte considerável dos fabricantes, antes de iniciar a produção, não tinha o hábito de consumir tipos variados.
“Sinceramente, não consumíamos nada além de queijo frescal e de minas padrão”, diz Izabela. “Mas nos apaixonamos por esse mundo do queijo artesanal, que é cativante.”
E a produção mudou tanto a cabeça da dupla que, inquieta, fica imaginando os produtos que podem vir por aí. “Queremos fazer um
queijo para comer de colher, como o Serra da Estrela de Portugal. Já estamos com ideias para iniciar essa experiência”, afirma Wagner.
Nos últimos meses, por causa da crise mundial, tiveram de adotar novos procedimentos e quase apelaram novamente para o boca a boca. Como a maior parte dos lojistas cancelou os pedidos, partiram para o delivery de queijos artesanais, de porta em porta dentro da cidade, e centraram esforços na venda direta ao consumidor final, claro que divulgando por meio das redes sociais. “Conseguimos não interromper e nem diminuir nossa produção”, diz Izabela. “Também não paramos com nossas experiências com maturação, buscando sem parar resultados interessantes para nossos queijos.”
E é com essa garra e determinação que o casal Wagner e Izabela vai escrevendo uma história bonita e mostrando que Governador Valadares tem, sim, queijos de qualidade, que a coloca na lista com os melhores do Brasil. Pode fazer o pedido, garanto que terão excelentes acompanhamentos para uma boa cerveja gelada ou uma taça de vinho, fantásticos com um café passado na hora, ou sozinhos, mostrando que sonhos podem ser conquistados.
Chou
Valentina
Giovanna
Também de leite cru de vaca com 40 dias de maturação, textura muito cremosa e leve defumado – um conjunto deliciosamente fantástico. A casca é lavada com um caldo obtido das lavagens com pingo dos queijos mais velhos. Tem um final de boca levemente picante. Medalha de Bronze no “Prêmio Queijo Brasil 2019”. Produção de 20 peças por dia.
Brume
Queijo Solera
Ribeiro Real
“Vivemos em um país tropical, em que a temperatura oscila muito. Por isso, sugerimos manter os queijos na geladeira para conservá-los por mais tempo com as características com que os entregamos ao cliente”, diz o casal. Deixe em temperatura ambiente pelo menos uma hora antes de consumi-lo (esse tempo pode variar de acordo com o queijo, mais cremoso menos tempo fora da geladeira, casca mais dura mais tempo), esse procedimento permitirá que seu queijo expresse o sabor e a textura plena. Vale lembrar que, com o tempo, o sabor e a textura se alteram, mas isso é natural e até desejável. Afinal, o queijo é um alimento vivo. Guarde-o sempre fora da embalagem, em um recipiente fechado, com o produto envolto em papel toalha.
Fazenda Bem-Aventurança – Governador Valadares, MG, Córrego Itaúna; WhatsApp e Telegram: (33) 9 8448-4348 e (33) 9 9191-7646; @ribeirofiorentini; ribeirofiorentini.com











