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Uma viagem pelos sabores da Ásia no Kazuo

Com experiência única na cidade, omakase do restaurante vai além dos pratos japoneses com receitas emblemáticas de outros países do continente

Se você, assim como eu, acha que as palavras “omakase” e “descontração” deveriam se encontrar com mais frequência na gastronomia paulistana, então o Kazuo pode ser o endereço que esteja procurando. Comandado pelo multipremiado chef Kazuo Harada, o restaurante faz um serviço delicioso e criativo, que promove um encontro das técnicas, pratos e sabores da culinária japonesa com a de outros países do sul asiático, como Filipinas, Índia e Tailândia.

O chef Kazuo Harada, à frente do Kazuo, em São Paulo / Foto: Rubens Kato. Divulgação
O chef Kazuo Harada, à frente do Kazuo, em São Paulo / Foto: Rubens Kato. Divulgação

Localizado no térreo de um edifício na rua Rua Prudente Correia, bem em frente ao Shopping Iguatemi, no Jardim Paulistano, o Kazuo impressiona já na chegada. O salão em forma de corredor amplo é ocupado pelo balcão de madeira, com algumas mesas dispostas para quem optar pelo serviço a la carte. Sentados, os clientes têm vista para uma lâmina de pedra brasileira azul fabulosa, que se mistura no ambiente de luz baixa, quase vibrando ao som do jazz agradável e nada introspectivo que toca ao fundo, na trilha sonora.

No mesmo tom toca o chef Kazuo Harada, vencedor de uma estrela Michelin em 2024 e 2025, The Best Chef Awards nos mesmos anos, chef do ano pela Veja Comer & Beber em 2023 e 2024, e do prêmio de melhor asiático no Melhores da Gastronomia desta Prazeres da Mesa, em 2026. Tudo isso depois de colecionar outras quatro estrelas Michelin pelo restaurante Mee, no Copacabana Palace.

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Aos superlativos que vêm com uma lista tão robusta de prêmios somam-se sua presença de espírito e sorrisos contagiantes, a simpatia com que atende cada um dos clientes, a paixão por cada prato que apresenta, a destreza quase furtiva, de poucos gestos, olhares e palavras, enquanto comanda a cozinha e o salão.

No Kazuo, quem opta pela experiência do balcão tem horários de reserva flexíveis. O serviço do omakase não obriga que todos os lugares estejam preenchidos na hora marcada para começar. Por isso, o trabalho corre visivelmente sem pressão. As mesas e lugares vão se preenchendo com três, quatro pessoas de cada vez, o que dá à equipe todo tempo e cuidado para preparar cada prato.

Roteiros pela Ásia

Filho de pai japonês e mãe brasileira, donos de um restaurante no bairro paulistano da Liberdade, Kazuo Harada nunca ficou preso às suas origens. No início da carreira passou pelo Japão e Dubai, e de lá pôde viajar para diversos países do sudeste asiático. Na bagagem vieram receitas e boas ideias que deram origem a dois menus degustação no Kazuo: Omakase Itamae e Surpreenda-se – nós pudemos provar um pouco de ambas as opções.

A palavra em japonês “itamae” se forma da junção de dois kanjis, Ita (板), que significa “tábua (de corte)”, e Mae (前), que significa “Em frente / diante de”. À frente da tábua de corte, Kazuo prepara neste menu o que há de melhor em pescados no dia, uma experiência estritamente japonesa.

Vieiras canadenses com caviar espanhol, agora quentes, vêm acompanhadas de um creme de cenoura / Foto: Artur Tavares. Prazeres da Mesa
Vieiras canadenses com caviar espanhol, agora quentes, vêm acompanhadas de um creme de cenoura / Foto: Artur Tavares. Prazeres da Mesa

No Surpreenda-se, a cozinha japonesa aparece, mas a viagem continua pelas Filipinas, China, Tailândia, Coreia do Sul e Vietnã. Os pratos e sabores não são desconhecidos de um público tão privilegiado como o paulistano, que tem opções dedicadas a esses países espalhadas pela cidade, mas nas mãos de Kazuo alcançam sabores sublimes.

Embora Kazuo Harada diga que “o menu do Surpreenda-se já começa com muita intensidade”, isso não significa potência de sabores. Pelo contrário, o que dita a regra em sua cozinha é um equilíbrio completo entre os sabores dos pratos, sempre com poucos ingredientes que não se sobressaem entre si.

O edamame bem temperado com molho de ostra e finalizado com flor de sal abre o paladar para Kaki tokubetsuna, uma ostra de Santa Catarina com gema de ovo de codorna e ouriço. Logo depois, da Tailândia, o Goong ten é um camarão com temperos cítricos e ervas frescas servido em crocante feito das próprias cabeças e cascas dos camarões limpos na casa – com cara e sabor de pururuca –, garantindo um aproveitamento quase completo do produto. 

Manilla, com sashimi de peixe branco do dia – um dourado fresquíssimo – no leite de coco com cebola, gengibre, pimenta, coentro, e amendoim, finalizado com caviar espanhol. Foto: Artur Tavares. Prazeres da Mesa
Manilla, com sashimi de peixe branco do dia – um dourado fresquíssimo – no leite de coco com cebola, gengibre, pimenta, coentro, e amendoim, finalizado com caviar espanhol. Foto: Artur Tavares. Prazeres da Mesa

Depois dos canapés, a viagem se estende à Manilla, com sashimi de peixe branco do dia – um dourado fresquíssimo – no leite de coco com cebola, gengibre, pimenta, coentro, e amendoim, finalizado com caviar espanhol, este, um exemplo perfeito do equilíbrio que Kazuo consegue alcançar; não há dulçor ou gordura excessivos do leite de coco, nem sobressaliência da acidez da cebola, da picância do gengibre ou da pimenta, nem do frescor excessivo do coentro. Tudo funciona perfeitamente em uma bocada.

Ainda nos peixes brancos, a viagem continua pela índia com sashimi de namorado, curry amarelo e tomate fermentado. Se a palavra de ordem aqui deveria ser picância, o curry na verdade serve para realçar a gordura da fatia de peixe e o umami do tomate – que repousa numa salmoura com vinagre envelhecido japonês por algo em torno de 14 dias.

Depois de uma breve pausa com direito a elevação na potência do saquê, vieram os niguiris. Sobre o serviço de bebidas, o menu começou com o junmai Fukucho Sea Food, de Hiroshima; passou por Niwa no Uguisui, de Fukuoka; terminando no Anamoto Jumnai Daiginjo, de Akita, nos pratos quentes. O restaurante também oferece uma carta de vinhos com opções espetaculares, e merece ser visitada principalmente para os fãs de grandes brancos.

Seleção de saquês para a noite: Fukucho Sea Food; Niwa no Uguisui; e Anamoto Jumnai Daiginjo / Foto: Artur Tavares. Divulgação
Seleção de saquês para a noite: Fukucho Sea Food; Niwa no Uguisui; e Anamoto Jumnai Daiginjo / Foto: Artur Tavares. Divulgação

O shari do Kazuo brilha tanto quanto os cortes escolhidos para a noite. Feito com uma mistura de vinagres envelhecidos japoneses, é servido na temperatura correta. Não há excesso no tamanho das peças. Primeiro, chu toro, a parte intermediária do atum, seguido de carapau gordo com chips de alho, vieira canadense com caviar espanhol, além de um temaki de chu toro.

Partindo para a etapa final, três deliciosas vieiras canadenses com caviar espanhol, agora quentes, vêm acompanhadas de um creme de cenoura, tudo isso servido dentro de uma concha. Então, seguindo a tradição chinesa, o Peking duck traz a coxa de pato crocante à Sichuan para ser desfiado à mesa. Acompanhado de panquecas ao vapor, alho-poró e pepinos frescos, óleo de gengibre com pimenta dedo de moça e tradicional molho hoisin, é mais um convite na noite para se comer com as mãos.

Antes da finalização com as sobremesas, Kazuo retorna às entradas e manda Cha gio direto para o balcão. A essa altura do jantar, o enrolado de folha de arroz com blend suíno, cogumelos asiáticos, pimenta, alface, ervas com molho sambal parece excessivo, mas é impossível não se deliciar com os sabores tão frescos que chegam direto do Vietnã.

Niguiri de carapau com chips de alho / Foto: Artur Tavares. Divulgação
Niguiri de carapau com chips de alho / Foto: Artur Tavares. Divulgação

O café acompanha bolo de matcha, trufa, sorvete, berries e um mousse; então, Kazuo Harada comete sua última indulgência: uma taça de shochu, o digestivo perfeito para encerrar.

Vale notar ainda a delicadeza expressa em uma profusão de flores que decoram a grande maioria dos pratos apresentados e no tsuru oferecido para cada cliente que chega no restaurante

Mudanças à vista

Funcionando desde 2021 na cidade, o Kazuo vai passar por algumas mudanças em breve. O chef trará seu restaurante curitibano Emy para dividir o mesmo salão do restaurante, apresentando gastronomia mais casual, com opções à la carte e para compartilhar, além de um bar de drinks, ocupando a varanda do ponto atual, onde hoje são servidos os almoços diariamente e brunches aos finais de semana. Os omakases e o serviço a la carte do Kazuo serão mantidos normalmente. Embora ainda não haja mais detalhes sobre as novidades, a estreia está marcada para o final de outubro. Nós, é claro, retornaremos com mais informações.

Kazuo

Rua Prudente Correia, 432, Jardim Paulistano – São Paulo

Horários
Segunda a quinta, 12h às 15h e 19h às 23h
Sexta, 12h às 15h e 19h às 00h
Sábado, 12h às 16h e 19h às 00h
Domingo, das 12h às 17h
Telefone: (11) 96640-7596

@kazuo.restaurante

Tsuru / Foto: Artur Tavares. Prazeres da Mesa
Tsuru / Foto: Artur Tavares. Prazeres da Mesa

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