Onde comer esfiha em São Paulo: casas que ajudam a contar a história do salgado na cidade
No Dia Nacional da Esfiha, celebrado em 9 de setembro, roteiro reúne endereços que vão de receitas árabes e armênias tradicionais a lahmajuns, versões folhadas, rodízios e sabores contemporâneos
Poucos salgados de origem estrangeira foram incorporados ao cotidiano paulistano com tanta naturalidade quanto a esfiha. Ela está na padaria do bairro, na lanchonete aberta até tarde, nos restaurantes árabes mais tradicionais e também em casas que voltaram às cozinhas do Oriente Médio em busca de receitas menos adaptadas ao gosto brasileiro. Aberta ou fechada, com carne, queijo, zaatar, verduras ou recheios que passam longe dos clássicos, tornou-se parte da paisagem gastronômica de São Paulo.
A história dessa popularidade acompanha a própria imigração árabe no Brasil. A partir do fim do século XIX, sobretudo sírios e libaneses chegaram ao país e ajudaram a incorporar ao repertório local preparos como quibe, homus, coalhada e esfiha. Com o passar das décadas, a receita atravessou restaurantes familiares, confeitarias, padarias e redes de alimentação rápida, ganhando versões tão brasileiras quanto as recheadas com frango e Catupiry ou Romeu e Julieta.
A base, no entanto, continua bastante reconhecível: massa de pão assada com recheio, apresentada aberta ou fechada. É justamente essa simplicidade que permite tantas interpretações. Há quem prefira a clássica carne temperada, quem procure massa fina e bordas delicadamente tostadas e quem aproveite parentes próximos da esfiha, como o lahmajun e o pide.
Celebrado em 9 de setembro, o Dia Nacional da Esfiha é uma boa desculpa para percorrer diferentes momentos dessa história. Em São Paulo, há casas com décadas de atividade, restaurantes dedicados à cozinha árabe e projetos mais recentes que exploram a comida de rua do Oriente Médio. Confira o roteiro, em ordem alfabética.
Arais do Carlinhos

Criado em 1971 pelo armênio Missak Yaroussalian, conhecido como Carlinhos, o Arais do Carlinhos tem como especialidade que dá nome à casa o arais, pão recheado com carne, mas reserva espaço considerável para as esfihas. Atualmente instalado no complexo Vila Anália, no Jardim Anália Franco, o restaurante oferece desde sabores tradicionais até combinações doces. Entre as opções estão a esfiha de carne (R$ 12), a de frango com Catupiry (R$ 15) e a Romeu e Julieta (R$ 16), combinação de queijo e goiabada que mostra bem como o salgado de origem oriental ganhou sotaque brasileiro.
Rua Cândido Lacerda, 33, Jardim Anália Franco, São Paulo, SP
Terça a quinta, das 12h às 15h e das 18h às 23h; sexta e sábado, das 12h às 17h e das 18h às 23h; domingo, das 12h às 17h e das 18h às 21h30
@araisdocarlinhostatuape
Arabia

Um dos endereços mais conhecidos da culinária árabe paulistana, o Arabia trabalha a esfiha dentro de uma proposta de restaurante, com receitas que preservam referências clássicas e recebem acabamento mais cuidadoso. As esfihas da chef Leila Youssef aparecem nos sabores carne, queijo, ricota e verdura, a R$ 16 cada. Outra pedida é a esfiha folhada de carne (R$ 21), que troca a massa mais associada ao preparo por uma versão de textura delicada e crocante e se tornou uma das receitas conhecidas da casa.
Alameda Lorena, 1821, Jardim Paulista, São Paulo, SP
Segunda a sexta, das 12h às 15h30 e das 19h às 23h; sábado e feriados, das 12h à 0h; domingo, das 12h às 23h
@restaurantearabia
Esfiha Imigrantes

Com 50 anos de trajetória familiar e atualmente conduzida pela terceira geração, a Esfiha Imigrantes transformou o preparo que carrega no nome em negócio com diferentes endereços. A expansão mais recente levou a marca ao bairro dos Jardins, onde uma unidade com 30 lugares abriu na Rua Pamplona, esquina com a José Maria Lisboa. A operação mantém a linha de produtos da marca e combina atendimento no salão com forte presença no delivery. A chegada aos Jardins marca a quinta operação presencial da Esfiha Imigrantes, que também está na Vila Gumercindo, Lapa, Tatuapé e São Bernardo do Campo.
Jardins
Rua Pamplona, 1253, Jardins, São Paulo, SP
Terça a quinta, das 10h à 0h; sexta e sábado, das 10h à 1h; domingo e segunda, das 10h à 0h
@esfihaimigrantes
Le Blé

A esfiha ganha sotaque francês na Le Blé. Batizada de Crosfiha, a criação parte da massa de croissant para reinventar um dos salgados mais populares das padarias brasileiras. Produzida pela técnica de laminação, com sucessivas camadas de massa e manteiga, ela chega à vitrine em formato triangular, com exterior crocante e o folhado bem marcado. A novidade faz parte da linha de criações da casa que explora diferentes possibilidades para a massa de croissant. Na Crosfiha, ela ocupa o lugar da massa tradicional e aparece em dois recheios: carne (R$ 21) e frango (R$ 21).
Rua Pará, 252 – Higienópolis
Rua Padre João Manuel, 968 – Jardins
Horário de funcionamento: todos os dias, das 7h às 23h
@leblecasadepaes
Sabah

Instalado no Club Homs, em plena Avenida Paulista, o Sabah trabalha receitas de família e um repertório amplo de cozinha do Oriente Médio. A esfiha aparece em diferentes formatos, começando pelas salgadas (R$ 14), com sabores como carne, queijo, ricota com mussarela, escarola, calabresa com mussarela e frango com Catupiry. Há ainda esfihas doces (R$ 15), de chocolate ou doce de leite. Na opção Monte Sua Esfirra (R$ 16), o cliente escolhe dois ingredientes para criar a própria combinação. Para quem prefere transformar a prova em programa, o jantar inclui buffet árabe, rodízio de esfihas, sobremesa e bebidas por R$ 120 de domingo a quinta e R$ 130 às sextas e sábados.
Avenida Paulista, 735, Club Homs, Bela Vista, São Paulo, SP
Segunda a sexta, das 11h30 às 15h30 e das 19h às 21h45; sábado, domingo e feriados, das 12h às 16h e das 19h às 21h45
@sabahcozinhaarabe
Saj

A esfiha ocupa lugar importante no cardápio do Saj desde a criação da marca. Em setembro, o preparo ganha atenção extra com um festival realizado nas unidades Girassol, Nações Unidas, Vila Leopoldina, Higienópolis e Arujá. O Festival de Esfihas apresenta dois trios a R$ 45. O chamado Lançamentos reúne os sabores abobrinha, frango e cebola, enquanto o Clássicos traz carne, queijo e zaatar. É possível acrescentar o trio de pastas árabes (R$ 66), composto por coalhada seca, babaganoush e homus.
A unidade da Rua Girassol, primeira da marca e hoje também loja conceito, passa a oferecer uma linha de congelados. Entre eles estão mínis abertas de carne e zaatar (R$ 36, oito unidades), fechadas de carne, escarola, ricota e queijo (R$ 36, nove unidades) e esfihas de queijo de cabra (R$ 59, nove unidades). A seleção inclui ainda falafel, quibes, abobrinha recheada e kaftas para finalizar em casa. Em Arujá, a comemoração ganha outro formato no dia 23 de setembro, às 19h, com uma oficina de esfihas destinada a crianças de até 12 anos. Os participantes aprendem a montar o preparo e depois provam as próprias criações.
Samir Amis

Fundado em 2006, o Samir Amis preserva receitas ligadas à imigração síria e funciona como empório dedicado à culinária árabe em Moema. Por ali, a esfiha mantém perfil bastante clássico e é vendida também em quantidade, boa alternativa para quem pretende levar uma seleção para casa. As esfihas abertas custam R$ 35 a porção com 12 unidades e aparecem nos sabores carne, queijo, ricota com espinafre, zaatar, frango com Catupiry e calabresa com Catupiry. As fechadas custam R$ 42 por 12 unidades, com opções como escarola.
Alameda dos Nhambiquaras, 1020, Moema, São Paulo, SP
Segunda a sábado, das 9h às 20h
@samir.amis
SHUK Esfihas

Criado por Suzana Goldfarb e Mauro Brosso, o SHUK olha para a comida de rua do Oriente Médio e amplia a discussão sobre o que os paulistanos costumam chamar genericamente de esfiha. Um dos protagonistas é o lahmajun, preparação de massa fina que pode ser dobrada ou enrolada e comida com as mãos. O Lahmajun de Cordeiro (R$ 29) recebe carne de cordeiro temperada, molho de tomate da casa e especiarias, com salsinha, cebola e limão siciliano na finalização. O Lahmajun de Queijo (R$ 29) leva mussarela e zaatar, tomate, pepino e azeitonas pretas.
Outro parente da esfiha presente no cardápio é o pide, especialidade turca de formato alongado, semelhante a uma pequena barca. Entre as versões estão Cabrada (R$ 39), com mussarela, queijo de cabra e pesto de espinafre com alho; Bademjan (R$ 34), de berinjela defumada na lenha, especiarias, nozes e labneh; e Sujuk (R$ 38), com mussarela, molho de tomate levemente picante e a condimentada linguiça bovina típica da região.
Rua Girassol, 625, Vila Madalena, São Paulo, SP
Segunda a quinta, das 12h às 15h e das 18h às 23h; sexta, das 12h às 16h e das 18h às 23h; sábado, das 12h às 23h; domingo, das 12h às 21h
@shuk.sp



