Onde o uni encontra o raviolo
Standing Sushi Bar recebe Giulianna Iodice para jantar inspirado na tradição itameshi criada nos bairros de Tóquio
Muito antes de virar tendência em restaurantes descolados de Nova York, Londres ou São Paulo, o itameshi já ocupava pequenos balcões em bairros japoneses quase como um segredo doméstico. O termo nasce da junção entre “Itaria”, maneira japonesa de pronunciar Itália, e “meshi”, palavra usada para refeição. Mas o mais interessante dessa história talvez seja perceber que o Japão nunca enxergou a cozinha italiana como algo exótico. Ao contrário. Encontrou nela uma afinidade quase natural.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a presença italiana começou a crescer lentamente no Japão por meio de massas, cafés e técnicas europeias que passaram a ser reinterpretadas sob lógica japonesa. Só que, diferente do que aconteceu em muitos países, os japoneses não tentaram copiar exatamente a Itália. Preferiram filtrar aquela cozinha através da própria cultura gastronômica. Foi assim que surgiram massas com mentaiko, espaguetes com uni, molhos mais leves, menos gordura, mais precisão e uma obsessão quase artesanal pelo ponto perfeito do macarrão. Em Tóquio, hoje, existem casas especializadas em massas italianas com o mesmo rigor técnico encontrado em grandes sushiyas.
É justamente esse universo que desembarca em São Paulo no próximo dia 19 de maio, quando o Standing Sushi Bar recebe a jornalista gastronômica e cozinheira Giulianna Iodice para uma noite especial dedicada ao itameshi. O encontro reúne Giulianna ao lado de Bruno Erlinger, Lucas Stravino e Rodrigo Santos em uma cozinha criada a oito mãos que promete atravessar Japão e Itália sem transformar a experiência em um exercício forçado de fusão.

Cardápio da noite
O menu aparece quase como um passeio por essa história. O gyoza al pomodoro brinca com a ideia de conforto italiano dentro da estrutura delicada do dumpling japonês. O raviolo com uni e mujol encosta em sabores marítimos profundamente ligados às duas culturas. Já o cavatelli com atum bluefin aproxima massa fresca e pescado de maneira que faria bastante sentido em bairros de Tóquio como Shibuya ou Ebisu, onde pequenos restaurantes itameshi costumam operar com poucas mesas, iluminação intimista e cozinhas minúsculas dedicadas a detalhes quase obsessivos.
A própria escolha do Standing Sushi Bar como palco do jantar ajuda a ampliar essa atmosfera. A casa trouxe para São Paulo o tachigui sushi, formato extremamente tradicional no Japão em que o cliente come em pé diante do balcão. Historicamente, esse modelo nasceu como comida rápida urbana para trabalhadores japoneses no período pós-guerra, mas acabou se transformando numa experiência cultuada justamente pela proximidade entre cliente e itamae. Em muitos casos, comer em pé significava acesso a peixes de altíssimo nível sem o peso cerimonial dos restaurantes formais.
A sobremesa seguirá o mesmo espírito híbrido. A criação será assinada pela L'Albero dei Gelati Brasil, de Fernanda Pamplona, em parceria com a confeiteira e pesquisadora Viviane Wakuda. De um lado aparece a tradição italiana do gelato artesanal, marcada por menos gordura e maior intensidade de sabor quando comparada ao sorvete industrial. Do outro entram referências japonesas de textura, delicadeza e equilíbrio quase arquitetônico.
Para acompanhar, a carta de vinhos italianos será assinada pela expert Fernanda Fonseca, explorando rótulos capazes de atravessar umami, gordura, acidez e salinidade sem perder frescor.
Standing Sushi Bar
19 de maio, terça-feira
Das 19h às 23h30
Rua Ferreira de Araújo, 690, Pinheiros, São Paulo
@fernanda_fonsecafefe
@standingsushibar_sp
@giuliannaiodice
@pastamood__



