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Pindorama une história, sustentabilidade e técnica para valorizar a cachaça brasileira

Em um alambique de 1855 restaurado no interior fluminense, a marca combina patrimônio histórico, produção artesanal e práticas regenerativas para mostrar uma nova face da bebida símbolo do Brasil

Durante muito tempo, a cachaça carregou o peso de ser tratada como um destilado essencialmente popular, quase sempre lembrada pela caipirinha ou pelo consumo cotidiano. Nos últimos anos, porém, esse cenário começou a mudar. A bebida passou a conquistar espaço em bares especializados, restaurantes de alta gastronomia e concursos internacionais, impulsionada por produtores que decidiram olhar para suas origens sem abrir mão da inovação. É nesse movimento que a Pindorama encontrou seu lugar.

Produzida na Fazenda das Palmas, no Vale do Café fluminense, a marca nasceu da recuperação de um patrimônio histórico que parecia destinado ao esquecimento. Durante as obras de restauração da propriedade, adquirida em 2012, seus proprietários descobriram um dos mais antigos alambiques comerciais do Estado do Rio de Janeiro, construído em 1855. Em vez de transformar a estrutura em peça de museu, optaram por recolocá-la em funcionamento, devolvendo vida a um espaço que atravessou diferentes ciclos da história econômica brasileira.

Pindorama / Foto: @nakombina

A escolha acabou definindo também a identidade da marca. Pindorama, palavra de origem tupi-guarani que significa “terra das palmeiras”, era uma das formas como os povos originários se referiam ao território brasileiro antes da colonização portuguesa. O nome traduz a proposta de construir uma cachaça que dialoga com a história do país sem abrir mão de uma visão contemporânea de produção.“A restauração do alambique mostrou que preservar o passado também pode ser uma forma de construir o futuro. Queríamos valorizar a história da cachaça e demonstrar que tradição e inovação podem caminhar lado a lado”, afirma Luiza Konder A. Braga.

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Pindorama / Foto: divulgação

Toda a produção permanece concentrada dentro da fazenda. A cana é cultivada nas áreas vizinhas ao alambique e a destilação segue o método artesanal, preservando apenas o chamado “coração” da bebida, considerado a fração mais nobre do destilado. A versão Prata permanece em tanques de aço inoxidável para manter a expressão mais pura da cana-de-açúcar, enquanto os rótulos envelhecidos passam por diferentes madeiras, desenvolvendo aromas e texturas próprios.

A paisagem ao redor também faz parte da receita. Cercada por mais de 100 hectares de Mata Atlântica preservada, a Fazenda das Palmas reúne condições naturais que influenciam o processo de fermentação e ajudam a construir a identidade sensorial da bebida, reforçando a ligação entre terroir e destilação, conceito cada vez mais presente entre os produtores de cachaça de qualidade.

Na Pindorama, sustentabilidade não aparece como um selo de marketing, mas como parte do modelo produtivo. O projeto inclui reflorestamento com espécies nativas, cultivo consorciado de cana e milho não transgênico para conservação do solo, reaproveitamento do bagaço para geração de energia e iniciativas desenvolvidas com escolas da região. Até mesmo a escolha da madeira utilizada no envelhecimento segue um compromisso ambiental: para cada barril de amburana empregado na produção da Pindorama Ouro, dez novas árvores da espécie são plantadas na propriedade.

Pindorama / Foto: divulgação

“Buscamos revisar toda a cadeia produtiva sob os aspectos ambiental, social e de governança. O objetivo nunca foi apenas produzir uma boa cachaça, mas criar um projeto capaz de gerar impacto positivo no território”, diz Luiza.

Curiosamente, o reconhecimento veio primeiro fora do Brasil. Em 2017, a marca iniciou sua trajetória comercial em Portugal e, dois anos depois, conquistou medalha de prata no International Spirits Challenge, em Londres, uma das principais premiações do setor de destilados. A chegada ao mercado brasileiro aconteceu apenas em 2021, com distribuição para restaurantes, hotéis e casas especializadas do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Desde então, a coleção de reconhecimentos cresceu. Em 2022, a Pindorama alcançou o segundo lugar no Ranking da Cúpula da Cachaça e participou da Rum Fest, em Londres, como a única cachaça presente no evento. No ano seguinte, voltou ao International Spirits Challenge para conquistar uma nova medalha de prata, confirmando a consistência de seu trabalho.

O portfólio acompanha essa proposta de revelar diferentes expressões da bebida. A Pindorama Prata privilegia frescor, notas de cana recém-cortada e versatilidade, tornando-se uma escolha frequente para bartenders interessados em valorizar ingredientes brasileiros. Já a Pindorama Ouro ganha elegância após o envelhecimento em amburana, exibindo aromas de baunilha, mel e especiarias. Em 2023, a linha foi ampliada com a Cobra Coral, rótulo inspirado na biodiversidade nacional que reforça a ligação da marca com a fauna e a flora brasileiras.

Essa narrativa também aparece nas garrafas. Criados pelo estúdio argentino Oveja & Remi, os rótulos reúnem referências à natureza, aos rios, às diferentes matrizes culturais e aos biomas brasileiros, transformando cada embalagem em uma interpretação visual da diversidade do país.

Ao recuperar um alambique do século XIX e conectá-lo às práticas regenerativas do século XXI, a Pindorama mostra que o futuro da cachaça talvez esteja justamente na capacidade de revisitar sua própria história. É uma forma de lembrar que poucos destilados carregam uma relação tão íntima com a formação cultural do Brasil e que, quando tradição, técnica e identidade caminham juntas, a bebida nacional encontra argumentos para disputar espaço entre os grandes destilados do mundo.

@drinkpindorama

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