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Prêmio Pacto Contra a Fome 2025 destaca soluções estruturantes e projetos que enfrentam a fome no país

Premiação destaca projetos de impacto social e apresenta ações estruturantes do Pacto Contra a Fome para avançar na segurança alimentar do país.

O Prêmio Pacto Contra a Fome chegou à sua terceira edição em 2025 reunindo, em São Paulo, representantes do poder público, empresas, organizações internacionais e iniciativas da sociedade civil dedicadas à segurança alimentar. Em uma cerimônia com apoio de agências da ONU — como UNESCO, UNICEF, FAO, PNUMA e WFP — o evento reconheceu ações que têm impacto direto no combate à fome e ao desperdício de alimentos no Brasil.

Entre os premiados, a Gastronomia Periférica se destacou na categoria Segurança Alimentar e Nutricional, consolidando sua atuação em territórios vulneráveis ao formar jovens e adultos em cozinha profissional, com ênfase no aproveitamento integral dos alimentos e na geração de renda. O projeto, que prioriza especialmente mulheres negras, deverá atingir 4 mil pessoas formadas até o fim de 2025.

Durante a premiação, representantes da iniciativa reforçaram o caráter comunitário do trabalho.
“Somos um coletivo composto majoritariamente por mulheres e atuamos nas periferias de várias regiões do país”, afirmou Adélia Rodrigues.
Já o fundador Edson Leite destacou a dimensão social do problema: “A fome é uma violência que começa na falta de acesso à alimentação adequada. Nosso trabalho começa na ponta, com educação alimentar e combate real ao desperdício.”

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Avanços estruturantes no combate à fome

Criado para contribuir com a erradicação da fome até 2030, o Pacto Contra a Fome vem se consolidando como articulador de políticas e redes de cooperação. Entre as conquistas destacadas durante o evento estão:

  • Defesa da Cesta Básica Nacional na reforma tributária;
  • Aprovação de cinco dos sete projetos da Agenda Legislativa de Combate à Fome;
  • Campanhas nacionais de conscientização sobre desperdício, atingindo milhões de pessoas.

Lançamento do Guia CEASA Desperdício Zero

Um dos principais anúncios da noite foi o lançamento do Guia Orientador CEASA Desperdício Zero, desenvolvido em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

A proposta visa fortalecer os bancos de alimentos nas centrais de abastecimento do país, responsáveis por cerca de 20% do desperdício nacional. Com a adoção do modelo, estima-se que o país possa reduzir em até 40% o volume de alimentos descartados nessas estruturas — um número relevante em um país que desperdiça 27 milhões de toneladas de alimentos por ano.

O ministro Paulo Teixeira, presente na cerimônia, reforçou o caráter transformador da iniciativa:
“O que era perda vira valor econômico e social. Subprodutos e resíduos passam a ser ativos. O que antes era custo de descarte transforma-se em cadeia produtiva circular.”

O guia propõe ainda práticas de economia solidária, gestão de resíduos zero e circulação eficiente de alimentos, permitindo que produtos em boas condições cheguem a famílias em situação de insegurança alimentar.

Finalistas e premiados

A edição de 2025 contou com duas categorias principais:

1 — Redução ou Reversão de Desperdício de Alimentos

Finalistas:

  • Alimento de Axé
  • Ângulo das Artes
  • Iniciativa do Cacau
  • Instituto Casa Amarela Social

Vencedores:

  • Instituto Casa Amarela Social (PE)
  • Alimento de Axé (RJ)
  • Ângulo das Artes (SP)

Um dos representantes do Alimento de Axé destacou o papel dos terreiros:
“Os terreiros são espaços tradicionais de acolhimento e respeito ao alimento, verdadeiras escolas de convivência e diversidade.”

2 — Segurança Alimentar e Nutricional

Finalistas:

  • Movimento Camponês Popular Nacional
  • Gastronomia Periférica
  • Marmitas da TEL
  • Sabores do Quilombo — Associação Dandaras dos Palmares

Vencedores:

  • Movimento Camponês Popular Nacional
  • Gastronomia Periférica
  • Sabores do Quilombo

Representante do Sabores do Quilombo, Cirlene Santos, ressaltou a centralidade das mulheres no trabalho comunitário:
“Não queremos ser exceção. Somos parte essencial do debate sobre alimentação e direitos.”

Presenças institucionais e parcerias

O prêmio reuniu autoridades como:

  • Paulo Teixeira, ministro do MDA
  • Jade Romero, vice-governadora do Ceará
  • Raul Cutait, presidente do Conselho de Responsabilidade Social da FIESP

Foram também homenageados parceiros como FIESP, Grupo Sada, Ambev/AMA, XP, iFood, Starkbank, Cashin, Olera, Instituto Bia Rabinowitz e Sesc Mesa Brasil.

Para Geisy Diniz, fundadora do movimento, o desafio exige ação coordenada:
“O combate à fome é o maior desafio do nosso tempo. Governo, empresas e sociedade civil precisam atuar juntos.”

Um pacto que vai além da fome

Ao fim da cerimônia, os premiados subiram ao palco em sinal de cooperação entre iniciativas de diferentes regiões e realidades. O apresentador Luiz Miranda sintetizou o espírito do encontro:
“Sem justiça social não há democracia — e não há alimento para todos.”

No telão, a frase que encerrou a noite resumiu a missão que norteia o prêmio:
“O Brasil que alimenta o Brasil é o Brasil que não desiste de ninguém.”

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