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Produção sustentável: boa para o planeta e para quem bebe

Inspirada em vinícolas da Califórnia, a chilena Caliterra comprova que o respeito à natureza e às pessoas faz ainda mais sentido quando o vinho é bom na taça

Por Celso Masson (@celsomasson)

Desde que foi criada, a partir de uma joint-venture que uniu o chileno Eduardo Chadwick e o norte-americano Robert Mondavi, a vinícola Caliterra teve na sustentabilidade seu grande diferencial. Tanto assim que muitos dos protocolos adotados pela empresa serviram de base para o código de práticas ambientais que o governo chileno preconiza para a produção de uvas e vinhos sustentáveis.

Enólogo Alberto Eckholt com uma garrafa do lançamento Tributo Gran Reserva Mezcla Tinto 2021 / Foto: Celso Masson

“A ideia central do projeto sempre foi a de que o respeito à natureza e às pessoas faria o negócio prosperar também do ponto de vista financeiro”, afirmou o enólogo-chefe da Caliterra, Alberto Eckholt, durante um almoço para apresentar em São Paulo alguns de seus vinhos premium, importados para o Brasil pela Casa Flora. “Conseguimos provar que manter o compromisso com o meio-ambiente e o foco na comunidade é um caminho para aprimorar o que vinho entrega”, disse Eckholt.

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Isso inclui o uso de fontes renováveis de energia, tratamento adequado da água e foco na qualidade de vida dos colaboradores, que moram em uma distância de até 10 quilômetros da vinícola. Para comprovar que o olhar sustentável resulta em bons vinhos, a Casa Flora selecionou um branco e três tintos da Caliterra. Entre as novidades que a marca disponibiliza para o mercado brasileiro está o Tributo Gran Reserva Mezcla Tinta 2021. É um blend elaborado com diferentes variedades do vinhedo Caliterra, no Vale de Colchagua, e que podem mudar conforme a colheita. Malbec, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Syrah são as mais representativas, podendo haver adição de Garnacha e Petir Verdot, dependendo da safra.

Não por acaso, o rótulo traz o selo “Producción Sustentable”, assim como ocorre em outros da vinícola que evidenciam imagens ligadas à agricultura regenerativa, com alusão a plantas, insetos e animais que atuam de forma simbiótica para resultar em uvas sadias e expressivas do terroir.

“A inspiração para esse enfoque veio do sucesso de outros projetos que já haviam sido implantados na Califórnia e que Robert Mondavi compartilhou com a família Chadwick”, destacou Eckholt, que está à frente da enologia da vinícola desde 2023. Formado pela Pontificia Universidad Católica de Chile e com experiências internacionais em Bordeaux, Napa e Mendoza, ele trabalhou para grandes vinícolas do Chile antes de chegar à Viña Caliterra. Liderou projetos da Viña Montes nos Estados Unidos (Montes USA) e na Argentina (Kaiken), além de ter atuado junto à Apalta Winery e Luis Felipe Edwards.

Cenit 2018 / Foto: Celso Masson

Os vinhos degustados em São Paulo ainda não trazem sua assinatura, por serem todos de safras anteriores a 2023 – ano da contratação de Eckholt pela Caliterra. A Mondavi, adquirida pela Constellation Brands em 2004, não está mais negócio, hoje 100% pertencente à família Chadwick – dona também de marcas como Errázuris e Seña. Do portfólio provado, chama a atenção o Caliterra Pétreo Malbec 2020, fermentado sem adição de leveduras exógenas e que estagiou por 18 meses em barricas de carvalho francês (40%) e em ânforas de argila (60%). Apesar de ter a estrutura suculenta e com taninos firmes que se espera de um Malbec nessa faixa de preço (R$ 356,90 no e-commerce da importadora), ele traz um estilo distinto daquele que predomina em muitos similares argentinos. A passagem por argila evidencia aromas florais, como violeta, e de frutas vermelhas frescas, sobretudo amora, sem as notas de compota que muitas vezes pesam no Malbec. Por isso chega a ser até refrescante na boca.

Ponto alto da Caliterra, o Cenit 2018 é um vinho espetacular em todos os aspectos. Seu nome (equivalente em português a zênite, ou o ápice da passagem de um corpo celeste em relação à Terra) não foi escolhido a esmo. Elaborado a partir de um corte das variedades Malbec, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Syrah, ele permanece 24 meses em barricas de carvalho francês, além de ter uma pequena parte depositada em ânforas. Mas é a data da assemblagem final que explica o nome Cenit. O blend é definido sempre no dia 21 de dezembro de cada ano, no Solstício de Verão, quando o Sol alcança seu apogeu no céu do Hemisfério Sul. Denso, fluido e complexo, alternando no nariz aromas de frutas como mirtilo e framboesa a toques cítricos de flor de laranjeira e retrogosto com notas de café e grafite. Bem complexo e com um final prolongado. Custa R$ 884,90 no site da Casa Flora.

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