Programa em grande estilo

POR MARINA GOBET (*)
Além de ser o mercado coberto mais antigo da capital francesa, o Marché des Enfants Rouges é considerado um monumento histórico. Apesar de comercializar flores, frutas e legumes, sua principal atração são as múltiplas barraquinhas lá dispostas, que servem durante o almoço culinária de diferentes países, com uma irresistível variedade de pratos típicos.
Em 1615, o rei Luís XIII encarregou dois comissários para construir um pequeno mercado que abasteceria o bairro de Marais, à época uma região recém-inaugurada e em pleno desenvolvimento. Nasceu assim Le Petit Marché du Marais (ou, em bom português, O Pequeno Mercado do Marais), e que no fim do século XVIII passou a se chamar Marché des Enfants Rouges (ou Mercado das Crianças Vermelhas).
Seu nome é uma homenagem às crianças vestidas de vermelho, símbolo da caridade cristã, que freqüentavam o orfanato do bairro. Em 1912, o mercado foi vendido à cidade de Paris, e desde 1982 pertence ao circuito de monumentos históricos da capital francesa. Com localização privilegiada, fica em um dos bairros mais charmosos de Paris, o Marais. Sua arquitetura inclui um pátio semicoberto onde o visitante não se expõe diretamente aos olhares de quem passa pela rua.
Ali, a variedade e a qualidade dos pratos servidos provocam maior freqüência dos moradores do bairro e das regiões vizinhas. Charme e autenticidade não faltam a esse mercado, onde aproximadamente 20 barracas de alimentação se instalam de terça-feira a domingo, proporcionando uma atmosfera alegre, descontraída e sobretudo cosmopolita.
A escolha é variada, com cozinhas para todo gosto – desde a italiana (que oferece um menu por 12 euros, composto de antipasto, massa à l’arrabbiata e bebida) até a japonesa, com pratos leves e equilibrados que mudam conforme as estações do ano. Dentre as iguarias orientais figuram os makis e os bolinhos de lula e camarão com legumes, uma receita tradicional da Ilha de Kyushu. Há, ainda, os menus marroquinos, que incluem os tradicionais tagines, couscous e pastillas (com preços que variam de 6 a 10 euros a porção) e o africano, que oferece o boeuf Maffé (cozido de carne de boi, com pimenta antilhana e pasta de amendoim).
Tamanha variedade se completa com os famosos crêpes bretões e as galletes de trigo sarraceno – que são uma verdadeira tentação; as receitas orgânicas (que incluem sopas de vegetais que mudam semanalmente, por 6,50 euros) ou os clássicos pé de porco e chouriço de sangue. Todos os pratos são saboreados informalmente em mesas e cadeiras de plástico. E o melhor: a bons preços e tendo como moldura a atmosfera charmosa desse cartão-postal parisiense.
Marché des Enfants Rouges
39, Rue de Bretagne, 75003. Metrô: Temple ou Filles du Calvaire.

(*) Marina Gobet é formada em gastronomia pela Lenôtre e tem a sorte de morar em Paris há dez anos.



