Quando a cozinha vira palco
Como os fornos portáteis conquistaram chefs, pizzaiolos e cozinheiros amadores
Em tempos de aplicativos de delivery, em que pedir uma pizza é questão de poucos cliques e menos de uma hora de espera, seria de se imaginar que o ato de preparar uma do zero estivesse em desuso. Afinal, segundo dados do iFood, só nos primeiros cinco meses do ano foram mais de 35 milhões de pedidos de pizza na plataforma, a maioria concentrada nos fins de semana. E o movimento não dá sinais de retração: 62% das pizzarias entrevistadas relataram aumento de faturamento em relação ao ano anterior.Mas, na contramão dessa praticidade, cresce o fascínio de quem prefere pôr a mão na massa — literalmente. O novo objeto de desejo de cozinheiros amadores e profissionais é o forno portátil de pizza. A ideia é simples: trazer para dentro de casa (ou para a casa de praia e até para o campo) a experiência de assar uma pizza em condições bem próximas às dos tradicionais fornos napolitanos.

Até pouco tempo atrás, as opções eram limitadas. Ou se tentava a sorte em um forno doméstico, que dificilmente passava dos 250 °C e entregava discos achatados e secos, ou se construía um forno a lenha no quintal. Hoje, porém, existem equipamentos compactos, elétricos ou a gás, que atingem temperaturas acima de 400 °C, reproduzindo a textura, a crocância e as manchas chamuscadas típicas de uma pizza napolitana. No mercado há diversas opções desde as elétricas, passando pelas à lenha, à gás, com pedra giratórias, entre outros. Uma das opções do mercado é o da Fornoflex Kiln que tem a pedra rotante e gás que atinge uma temperatura 450 °C em apenas quinze minutos. “O legal é que atualmente entusiasta de pizza, que quer preparar suas redondas encontra opções para todo tipo de ambiente. Seja um pequeno apartamento – onde as elétricas são mais indicadas – ou as à gás que, são mais baratas, mas são melhores para ambientes abertos, e com espaço. Além do que, é possível levar para todo o lugar e o resultado é realmente muito impressionante, elas assam profissionalmente”, diz Oscar Leite, sócio da Itzza que não lança mão dos seus fornos elétricos quando a marca participa de eventos externos.

O chef André Mifano, do restaurante Donna, é um dos entusiastas. Nos fins de semana, se diverte testando massas e combinações no seu forno elétrico. “Eles têm o tamanho exato de uma pizza, são práticos e trazem um resultado profissional dentro de casa”, comenta. Para quem deseja investir, os preços variam — um modelo bastante procurado, como o da marca Fatto, custa em torno de R$ 4.500. Segundo Marcos Lee, sócio do empório Di Bari Mercato, as vendas desses fornos cresceram 500% desde a pandemia, reflexo de um público cada vez mais disposto a transformar a cozinha em espaço de convivência e experimentação. “Tem outro fator: os fornos portáteis – por atingirem altas temperaturas – muito mais que um forno tradicional chega – dá possibilidades. Você pode fazer outras receitas, brincar, testar. Chega que o céu é o limite. Ainda mais se você for mesclar ingredientes”, completa Marcos, que assume que semanalmente testa novas formas de usar seu gadget. Na própria Di Bari Mercato, é possível encontrar não apenas a massa já assada e congelada, bem como ela crua ou até diversos tipos de farinhas para quem quer realmente fazer a pizza do zero. “A pessoa vai pegando confiança, e fazer a própria massa se torna um hobby. E por isso esses forninhos estão tão em alta, não apenas no Brasil, mas no mundo todo”, completa Lee.

Essa dimensão social também é ressaltada pelo chef Fellipe Zanuto, da premiada A Pizza da Mooca. Para ele, preparar pizzas em casa se tornou uma atividade quase terapêutica e, acima de tudo, divertida. “Não exige planejamento elaborado, basta reunir amigos, abrir a massa e deixar cada um montar a sua versão. O forno portátil ajuda porque realmente entrega a qualidade que se espera”, afirma. Já o pizzaiolo Marcos Paulo, da La Braciera, vê na tendência uma porta de entrada para mais criatividade: “Esses fornos permitem testar receitas que depois podem ir para o cardápio da pizzaria. E já existem até masseiras residenciais sendo lançadas, o que mostra o potencial desse mercado.”

E, se a ideia é arriscar a primeira fornada em casa, os especialistas dão alguns caminhos. O ponto de partida é, claro, o forno: quanto mais próximo dos 450 °C, melhor será o resultado da borda inflada e crocante. Na hora de abrir a massa, use as mãos em uma superfície enfarinhada com sêmola — o rolo de macarrão não é necessário e pode comprometer a leveza. A cobertura também pede equilíbrio: para uma pizza de 30 cm, cerca de 150 g a 200 g de queijos e embutidos já é suficiente, além de aproximadamente 100 g de molho. Não se esqueça de deixar a massa em temperatura ambiente antes de assar, evitando que a base fique crua. Por fim, a escolha dos ingredientes faz toda a diferença. Como lembra Mifano, a pizza é democrática e aberta a combinações infinitas, mas a qualidade dos produtos é o que separa uma experiência caseira comum de uma verdadeira celebração gastronômica.
DI BARI MERCATO
Cidade Jardim: Praça deputado Dário de Barros, 17, São Paulo | Contato: (11) 92055-2132 | Horário de funcionamento: Segunda a Sábado 10h às 19h | www.dibarimercato.com.br | @dibarimercato
A PIZZA DA MOOCA
Mooca: Rua da Mooca,1747 – Mooca – São Paulo/SP – Fone: (11) 3571-1221 | Horário de funcionamento: segunda das 18h às 22h, terça a domingo 18h às 23h | www.apizzadamooca.com.br | @apizzadamooca
DONNA
Rua Peixoto Gomide, 1815 – Jardim Paulista – São Paulo/SP – Fone: (11) 97593-9047 | Horário de funcionamento: segunda a quinta das 19h às 22h45, sexta das 19h às 23h, sábado das 13h às 15h30 e das 19h30 às 22h45 | @restaurantedonna_
LA BRACIERA
Jardins: Alameda Lorena, 1040 – Jardins, São Paulo – Fone: (11) 5990-2158 | Horário de funcionamento: domingo a quinta das 18h às 23h e sexta e sábado das 18h às 00h | @labracierapizza
ITZZA
Rua Professor Carlos de Carvalho, 95 – Itaim Bibi, São Paulo/SP | Delivery via iFood e Rappi | Horário de funcionamento: segunda a quarta das 12h às 23h, quinta a sábado das 12h à 0h, domingo das 17h às 23h | @itzzabr



