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Quem foi Maria Portela? Pesquisa revela a história da pioneira da cajuína no Brasil

Campanha quer transformar em livro e documentário o legado da mulher que registrou o primeiro rótulo da bebida no país

“Uma mulher à frente do seu tempo.” É assim que Sara Almeida Campos, pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), define Maria Portela Veloso. A partir de suas raízes piauienses, Sara voltou ao passado para contar a história da pioneira na comercialização e rotulagem da cajuína.

Para transformar sua pesquisa em um livro e um documentário, ela lançou a campanha de financiamento coletivo “Cajuína: substantivo feminino”. O objetivo é claro: registrar o protagonismo de Maria Portela na produção da bebida no Brasil. Os apoiadores podem contribuir com diferentes valores em troca de recompensas, como exemplares do livro e agradecimentos nos créditos do documentário.

Cajuína de Maria Portela Veloso. Foto: Acervo Solange Portela.
Cajuína de Maria Portela Veloso. Foto: Acervo Solange Portela.

Quem foi Maria Portela?

Muito antes de a cajuína chegar a outras regiões do país, a mãe de Maria, dona Laura Soares, já produzia a bebida. As duas moravam em Valença do Piauí, no interior do estado, quando Maria registrou o primeiro rótulo e levou a cajuína para além das fronteiras piauienses, alcançando estados como Pernambuco e São Paulo.

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Apesar de a bebida ter sido desenvolvida por uma mulher, muitas vezes o mérito de sua criação é atribuído ao farmacêutico Rodolfo Teófilo, em Fortaleza. “Na época, ele contribuía muito para a saúde pública, aplicando vacinas na periferia, muitas vezes com dinheiro do próprio bolso. Mas Rodolfo teve uma atitude que podemos considerar polêmica: patenteou o nome ‘cajuína’ e o modo de preparo da bebida como se fossem uma invenção sua, anos depois de dona Laura já produzi-la e chamá-la de cajuína”, conta Sara.

Cajuína. Foto: Divulgação.
Cajuína. Foto: Divulgação.

Foi dessa história que surgiu a antiga disputa sobre se a cajuína nasceu no Piauí ou no Ceará. “A gente volta ao século 20, quando as mulheres não eram bem-vistas na ciência. De um lado, estava Maria, uma dona de casa. Do outro, Rodolfo, um sanitarista muito prestigiado pela sociedade.”

A pesquisadora destaca que a história de Maria vai muito além da cajuína. “A bebida é só um detalhe, porque, quanto mais eu pesquisava, mais descobertas fazia. Ela era uma mobilizadora social que unia mulheres de diferentes classes sociais. Maria influenciou a criação de uma estrada em Valença do Piauí e chegou a organizar um panelaço para evitar que os jovens fossem convocados para a Primeira Guerra Mundial.”

Sara Almeida Campos, pesquisadora da Universidade de Brasília. Foto: Divulgação.
Sara Almeida Campos, pesquisadora da Universidade de Brasília. Foto: Divulgação.

Para Sara, revisitar esse passado é motivo de orgulho. “Queremos fazer uma reparação histórica e mostrar quem Maria foi. Também podemos ajudar a cidade a crescer por meio da cultura e inspirar as mulheres que produzem cajuína até os dias de hoje.”

Quer apoiar?

As doações podem ser feitas pelo link na plataforma Benfeitoria.

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