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Receita para restaurantes e bares surfarem no boom de turistas estrangeiros no Rio

Estabelecimentos apostam em cardápios e atendentes bilíngue para receber melhor os viajantes, que injetaram R$ 2,9 bilhões nesse setor no primeiro semestre de 2026

“O Zazá Bistrô é escolhido pelos gringos desde a época da inauguração”, diz Zazá Piereck, uma das sócias do restaurante, que está de portas abertas em Ipanema, no Rio de Janeiro, há 27 anos. De lá para cá, o estabelecimento se mantém preparado para atender esse público, que corresponde, na média, a 50% da clientela. “De julho a agosto, no fim do ano e no Carnaval, eles chegam a representar 70% do movimento”, revela a mesma sócia.  

Não é fruto de uma ação planejada. “Foi meio orgânico”, explica Piereck. No início, o Zazá Bistrô aderiu a uma receita que o Ritz e o Spot, em São Paulo, seguem até hoje — contratar jovens estudantes de classe média para atuar como garçons.

É uma turma, via de regra, que só está interessada em atuar nesse meio por um curto período. O que importa para a história, porém, é o fato de que se trata de um perfil que costuma falar uma segunda língua com desenvoltura. Para os gringos que começaram a aparecer no Zazá Bistrô, fez toda a diferença. 

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Com o passar do tempo, o estabelecimento de Piereck e Preta Moysés foi deixando de contratar esse tipo de profissional, substituído por gente interessada em atuar como garçom a médio e longo prazo. Dada a alta frequência de estrangeiros, porém, o Zazá Bistrô passou a privilegiar, na hora das contratações, quem falasse pelo menos uma segunda língua. E começou a oferecer cursos de idiomas para os contratados que só falavam português e demonstravam interesse em dominar o inglês, o espanhol ou o francês.  

Pelo sim, pelo não, o restaurante não faz propaganda do fato de dispor de uma brigada bilíngue. “É melhor os estrangeiros se surpreenderem com isso do que virem com uma super expectativa de conversação e saírem frustrados com algum deslize nosso de comunicação”, observa Piereck.

A fluência em inglês só é exigida dos hostess, com os quais os visitantes primeiramente interagem. “É uma interação que precisa ocorrer sem nenhuma falha de comunicação”, justifica a empresária. 

Prato do Zazá Bistrô / Foto: Divulgação
Prato do Zazá Bistrô / Foto: Divulgação

Brazil core

O estabelecimento tem surfado com facilidade no boom de turistas estrangeiros no Rio de Janeiro. No ano passado, o Brasil recebeu quase 9,3 milhões de turistas internacionais, um número recorde — e o estado do Rio de Janeiro, quase 2,2 milhões, outra cifra inédita. 

O fenômeno é reflexo, em boa medida, do teto anual de 6,5 milhões de passageiros imposto ao aeroporto Santos Dumont pelo governo federal em 2023. Por conta disso, o movimento no RIOgaleão, que recebe voos internacionais, mais que dobrou. Foram 7,9 milhões de passageiros, em 2023 e 17,9 milhões no ano passado. Neste ano, entre janeiro e junho, já foram mais de 9,5 milhões.

Recém-divulgado, um levantamento da prefeitura do Rio de Janeiro dá uma pista do significado, em números, desse boom de turistas estrangeiros. Elaborado pelas secretarias municipais de Turismo e de Desenvolvimento Econômico em parceria com a Riotur, o documento debruça-se sobre a totalidade dos turistas. Essa turma, entre janeiro e abril de 2026, injetou R$ 12,2 bilhões na economia da cidade. 

O resultado representa um crescimento de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025. O setor de hospedagem concentrou a maioria dos gastos deste ano: R$ 5 bilhões (40%).

Segundo no ranking, o segmento de bares e restaurantes ficou com R$ 2,9 bilhões dos gastos, que correspondem a 24,9% do total. De acordo com o levantamento, a cidade recebeu cerca de 990 mil turistas estrangeiros nesse primeiro quadrimestre. 

Daí a importância de contratar garçons bilíngues ou de estimular a brigada a aprender um segundo idioma. Dispor de cardápios em inglês e espanhol (sem erros, por favor) também faz toda a diferença.

Outra dica é dar a devida atenção para o dimensionamento de estoques, para as escalas e para a capacidade de atendimento levando em conta a sazonalidade e os períodos de maior circulação de gringos na cidade.  

“Quando há condições básicas para o turismo, como segurança e boa oferta de voos, o volume de visitantes estrangeiros aumenta”, diz Fernando Blower, que preside o SindRio, o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro. “Aos olhos do mundo, a cidade está na moda, o que precisa ser bem aproveitado tanto pelos empreendedores quanto pelo poder público. O turismo, afinal, beneficia a região como um todo”. 

De olho nas eleições deste ano, Blower acrescenta o seguinte: “É importante que o novo ocupante do Palácio Guanabara, seja ele quem for, tenha consciência disso, para que não haja retrocesso nas condições que favorecem o turismo local”.  

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