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Entrevista com Jorge Boratto Filho

À frente de estabelecimentos que são sucesso de público, o empresário fala sobre negócios e o futuro da gastronomia

O empresário Jorge Boratto Filho tem surpreendido o mercado da gastronomia por causa de ações ousadas que misturam qualidade e preço baixo. Foi assim que lançou dois sucessos de público, o Burger X Brasil – batizada a primeira hamburgueria virtual low cost do mundo – e a Pizza X. Mas ele também comanda o Burger Lab, uma rede de franquias. Aqui, ele conta como entrou nesse mercado e fala sobre o futuro da gastronomia e o Restaurante do Amanhã, sua nova empreitada.

Ricardo Castilho – Como você resolveu entrar para o ramo da gastronomia? Conte um pouco de sua formação e história até chegar a esse mercado.

Jorge Boratto Filho – Sou formado em marketing, mas antes morei no sul da França, em Montpellier; depois, em Londres, quando tinha 16 anos. Na Europa, tive a oportunidade de conhecer muitos países e culturas diferentes, obviamente com bastante interesse em gastronomia, mas a vida e as oportunidades me levaram para a indústria fonográfica quando tive a chance de compor e produzir inúmeros sucessos, muitos deles conhecidos mundialmente, vários em novelas etc, como Manu Chao, Sect, Kaleidoscópio, Des’ree..

Em 2010, resolvi largar tudo para me dedicar à gastronomia. Passei dois anos estudando o mercado e o que eu gostaria de fazer unindo prazer e viabilidade financeira. Então, no final de 2012, montei a primeira loja da Burger Lab, hamburgueria premium, com produtos de alta qualidade. Logo depois virou rede de franquia.

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No Brasil, a gastronomia é um ramo muito difícil, como todos, mas como se diferenciar, qual a dica principal para fazer sucesso?

Não só na gastronomia ou na música, mas em qualquer profissão, você precisa de talento e de um pouco de sorte, de estar no lugar certo com as pessoas certas. Além disso, é preciso ter uma ideia sólida, “única”, pioneira.

Como esse momento difícil afetou seus negócios? Quais as mudanças que você precisou fazer neles?

Eu já estava focado em delivery havia um bom tempo, então, a pandemia não afetou muita coisa. Ela atrasou alguns projetos que já eram para estar “no ar”.

Seus planos de investimento e crescimento continuam?

Continuam, sim, não podemos ficar parados de jeito nenhum. O primeiro deles foi o Restaurante do Amanhã, em parceria com a Fazenda Futuro. Trata-se da primeira rede de comida vegetariana/vegana/flexitariana do Brasil. Já estamos em São Paulo, Brasília, Botucatu, Londrina, Cuiabá, Jundiaí, Vinhedo, Campinas e São Luís, entre outras cidades. Vendemos nossos pratos por delivery (plataforma exclusiva iFood), varejo e sistema de venda direta.

O Restaurante do Amanhã alimenta toda a cadeia de produtores, restaurantes e clientes. Qualquer restaurante pode aderir ao nosso programa, zero adesão, operação supersimples e não gera conflito de marcas porque o Restaurante do Amanhã aparece no iFood independentemente de quem esteja operando e regenerando seus pratos.

Como vê o atual crescimento e o futuro do delivery?

É o futuro. Já era tendência, mas acho que agora virou necessidade. No fundo, acho que qualquer opinião a respeito do futuro é um mero chute. Acho que ainda tem muita coisa por vir.

E o futuro dos restaurantes? Acha que voltaremos a ser como era antes?

Falando por mim, voltarei a frequentá-los quando me sentir seguro e confortável. Por exemplo, acho estranho tomar um drinque usando uma máscara. Mas logo mais a vacina estará disponível e, então, a vida seguirá o curso de antes.

O que a gastronomia tem de mais bacana e de pior?

Existem muitos cozinheiros e chefs que fazem um trabalho excepcional, uma comida de excelência, não sendo necessariamente cara. Isso é bom, democrático. O que atrapalha um pouco é esse ego em excesso. Ego que nem no mercado fonográfico vi tão inflado. Isso é péssimo. Humildade acima de tudo, minha gente!

Teremos lugar para restaurantes de luxo?

Sem dúvida que sim! Inclusive, tive uma ideia há muitos anos e que agora é o melhor momento para executá-la. Trata-se de um “restaurante de altíssima gastronomia” com oito salas individuais (recebe um casal apenas por noite), cada uma com uma culinária diferente. Por exemplo, francesa, italiana, brasileira etc… essas salas são equipadas com uma suíte, em que o casal poderá pernoitar. Estamos falando de um restaurante diferente ou de um motel diferente. Chame-o como quiser! Se algum investidor estiver lendo agora e quiser investir comigo nessa ideia, é só chamar. (risos)

Como conseguir qualidade e preços competitivos?

Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares (risos). Tendo volume, você chega nessa fórmula. Mas como faz para ter volume? Por isso, essa é a pergunta X.

Muito se cobra hoje no apoio aos pequenos produtores. Você consegue colocar isso em prática?

Dependendo da situação, sim, com o maior prazer. Mas muitas vezes o problema é que pequenos produtores não têm volume, não entregam de acordo com a necessidade, não possuem as licenças exigidas e, muitas vezes, desculpe a sinceridade, mas não dá para ficar escondendo sempre os fatos, eles não têm a qualidade que você busca.

* Matéria publicada na edição 203 de Prazeres da Mesa, em julho de 2020

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Ricardo Castilho

Ricardo Castilho é diretor editorial de Prazeres da Mesa

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