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História de sommelier: Gianluca Zucco, Gino Wine Bar

O romano Gianluca Zucco deixou de lado sua carreira na área de TI para se dedicar à paixão pelos vinhos

O romano Gianluca Zucco deixou de lado sua carreira na área de TI para se dedicar à paixão pelos vinhos. Há 30 anos radicado em São Paulo, a ideia de migrar de ofício ganhou força em 2010. Isso porque foi quando voltou a sua terra natal e fez um curso na Associação Italiana de Sommelerie (AIS). A paixão se tornou profissão no final de 2019, quando inaugurou o Gino Wine Bar.

O amplo espaço localizado na primeira quadra da Cônego Eugênio Leite (tem como vizinhos o Boto restaurante e os bares Boca de Ouro e Cabíria) tem cara de sala de casa, impressão reforçada por ser apenas Gino e a filha atrás do balcão. A bandana na testa, o sotaque italiano e a fala fácil fazem de Gino um grande anfitrião, sempre pronto para dividir as (muitas) histórias que já vivenciou com vinhos e produtores.

Se a proposta do winebar é bastante purista em um aspecto, com poucas opções para comer (bons embutidos e queijos), nas bebidas é bastante eclético. Há muitos vinhos em taça, preços justos e escolhas que fogem do óbvio. Há ainda uma queda, claro, pela Itália e por produtores orgânicos, biodinâmicos e naturais.

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Qual foi seu primeiro contato com um grande vinho?

Final de 1986, recém-chegado ao Brasil, fui convidado pelo meu tio Nicola (meu anfitrião por aqui) para jantar no antigo Massimo. Foi uma experiência memorável, por algumas razões. A qualidade da comida, o sorriso solar do Massimo, a eficiência da brigada. Além do tocante ao vinho, um Brunello di Montalcino Biondi Santi, cuja safra não registrei e cuja icônica fama eu absolutamente desconhecia. Foi algo que me marcou de maneira indelével graças àquele legado de taninos aveludados que até um leigo, como eu era na época, conseguiria empiricamente distinguir.

Qual foi o seu melhor serviço?

O meu melhor serviço é sempre o do dia. Pois cada dia se torna uma oportunidade para compartilhar a alma do Gino junto aos meus clientes, sedentos de informações e histórias ligadas ao mundo do vinho, seus territórios e, sobretudo, seus artistas.

E as melhores e as piores combinações?

As piores são certamente quando uma das partes é ruim. Pois não existe prato perfeito que consiga sobreviver a um vinho ruim, e vice-versa. Quanto às melhores combinações, em minha opinião, não se pode generalizar. Afinal, cada prato e cada vinho podem variar imensamente, dependendo de inúmeros fatores.

Do lado dos protagonistas da combinação, sejam eles a comida ou o vinho, esses fatores podem ser a mão e a filosofia dos homens que os elaboraram. Mas também podem ser a safra, o método de cultivo e a elaboração, bem como o território, o clima; enquanto que, do lado do consumidor, também podem ser o clima, o humor, a companhia, as próprias energias, o ambiente, até mesmo o horário e assim por diante. Uma excelente harmonização comida-vinho pode perder repentinamente aquela magia ao mudar apenas um dos fatores acima. O que mais importa é confiar no mix da própria experiência, somada à intuição e ir se entregando àquele momento, que pode se tornar inesquecível.

Qual a pior pergunta que o cliente pode fazer?

“Que vinho sai mais?” Para mim, esta é de longe a pior pergunta, pois isso denota a baixa disponibilidade daquele cliente em ousar, em sair da margem de conforto para desenvolver o próprio gosto.

Outra bebida além do vinho?

Certamente as cachaças. Um patrimônio “líquido” ainda conhecido e explorado aquém de sua história, potencial, variedade e qualidade.

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Marcel Miwa

Especialista em serviço de vinhos pelo Senac-SP e jurado em diversos concursos internacionais de vinhos, desde 2015 Marcel Miwa está à frente do caderno de vinhos de Prazeres da Mesa.

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