Vinhos

Reynolds revela a face mais fresca do Alentejo

No norte da região, junto à Serra de São Mamede, a vinícola familiar aposta em agricultura regenerativa, mínima intervenção e vinhos de acidez vibrante, tendo a Alicante Bouschet como sua casta mais importante.

Em uma propriedade de cerca de 200 hectares, com apenas 40 hectares de vinhas plantadas, no norte do Alentejo, a Reynolds produz vinhos artesanais. Pioneira na região na agricultura orgânica e regenerativa e de práticas de mínima intervenção, a vinícola elabora vinhos mais frescos e com menor teor alcoólico, características menos comuns entre os vinhos alentejanos. A Alicante Bouschet é a casta mais importante da Reynolds e está presente em alguns de seus principais rótulos. Todas as barricas utilizadas pela vinícola são de carvalho francês.

O Alentejo, uma das mais importantes regiões vitivinícolas portuguesas, ficou conhecido por seus vinhos estruturados, encorpados e alcoólicos, por conta do clima mediterrâneo, com verões muito quentes e secos. Mas, por ser uma região extensa e plural, apresenta diferentes condições de solo, altitude e temperatura. Hoje, muitos produtores buscam elaborar vinhos com menos extração e uso mais comedido de madeira.

É nesse contexto que a Reynolds se encaixa. Localizada junto ao Parque Natural da Serra de São Mamede, onde o clima é mais fresco, as noites são frias e a amplitude térmica é elevada, a propriedade encontra condições para uma maturação mais lenta das uvas. Como resultado, seus vinhos apresentam frescor e acidez mais vibrante.

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Vinhos Reynolds / Foto: Babi Otero
Vinhos Reynolds / Foto: Babi Otero

Carlos Reynolds, membro da sétima geração da família, presente no Alentejo desde 1850, conduziu uma degustação de dez rótulos, entre eles duas novidades trazidas por ele na bagagem. O encontro com um pequeno grupo de profissionais do setor aconteceu no escritório da importadora Wine Pass, em São Paulo.

Na degustação, três linhas com nomes de família Carlos, Gloria e Julian são as três linhas da Reynolds que levam nomes de integrantes da família.

Da linha Carlos, foram apresentados dois vinhos de perfil mais moderno, com muito frescor e baixo teor alcoólico. O branco é um corte de Arinto e Antão Vaz. O tinto reúne quatro castas – Alicante Bouschet, Trincadeira, Touriga Nacional e Aragonez – e passa seis meses em barricas. São vinhos descomplicados, “fáceis de beber”.

A linha Julian, composta por um branco e dois tintos – Reserva e Grande Reserva -, revela vinhos mais estruturados, intensos e com grande capacidade de guarda. O branco, elaborado com Arinto, não passa por madeira e apresenta perfil mineral e salino, além de boa vocação gastronômica. O Julian Reserva é um corte de Alicante Bouschet, Trincadeira e Syrah. Passa 12 meses em barricas e mais 18 meses em garrafa antes de ser comercializado. Já o Grande Reserva, elaborado com Alicante Bouschet e Syrah, permanece 18 meses em barricas.

A linha Gloria, uma homenagem à matriarca da família, reúne os rótulos Art & Tradition – um branco e um tinto – e o Cathedral. São vinhos mais elegantes e sofisticados, de produção limitada e elaborados apenas em safras excepcionais.
Robert R Reynolds 2009, vinho fortificado elaborado exclusivamente com Alicante Bouschet. Com 19% de álcool, passa três anos em barricas. Produzido em apenas três safras, recebeu 93 pontos do crítico Robert Parker. É uma espécie de vinho “ao estilo do Porto”, feito no Alentejo.

As duas novidades trazidas por Carlos

O Essência, primeiro vinho natural da vinícola, é elaborado sem adição de sulfitos e chegará ao Brasil em janeiro de 2027. O rótulo pretende revelar a expressão mais pura da Reynolds. Carlos resumiu assim a ideia da família ao criá-lo: “O vinho tem que ser limpo, sem defeitos e com categoria e qualidade Reynolds”. A segunda novidade foi o Cathedral 2009, ícone da vinícola que será lançado em Portugal em 5 de outubro, data do falecimento da matriarca. Serão disponibilizadas apenas 1.500 garrafas. A importadora Wine Pass traz com exclusividade para o Brasil os vinhos frescos e elegantes da Reynolds, representantes de uma face menos conhecida do Alentejo.

@reynoldswines
@winepassbr

Por Flávia Maia
@degustandocomflaviamaia

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