Desde o fim do século 19, quando começou a ser engarrafada na pequena San Pellegrino Terme, na Lombardia, a S.Pellegrino circula por mesas onde decisões são tomadas, ideias nascem e pratos ganham forma. Mais do que acompanhar refeições, ela se tornou uma espécie de fio invisível que conecta cozinhas ao redor do mundo. É com esse pano de fundo que a marca aterrissa em São Paulo, no dia 4 de maio, para um encontro entre chefs e público.
No restaurante Broca, em Pinheiros, jovens cozinheiros terão a chance de dividir o mesmo espaço com nomes que hoje ajudam a definir os contornos da gastronomia brasileira. A proposta carrega uma densidade rara: falar de carreira sem fórmulas prontas, de criatividade sem romantização e de mercado sem disfarces. Em vez de discursos fechados, a ideia é abrir caminhos.
A escolha do Broca não parece casual. A casa de Cadu Evangelisti, que assume o papel de anfitrião, reflete um momento da gastronomia paulistana em que técnica e espontaneidade convivem sem tensão. Evangelisti, que já atuou como mentor na S.Pellegrino Young Chef Academy Competition, conhece de perto o tipo de transformação que a iniciativa pode provocar. Ao seu lado, Luiz Filipe Souza, do Evvai, traz a precisão de quem construiu uma linguagem própria a partir da memória italiana filtrada pelo olhar contemporâneo. Tássia Magalhães, no Nelita, trabalha com uma cozinha que equilibra delicadeza e estrutura, enquanto Janaína Torres, do Bar da Dona Onça, lembra que identidade também se constrói no cotidiano, no prato servido sem cerimônia, mas com intenção.
A conversa ganha outras camadas com a presença de Tabatha Bertoni, que já experimentou a tensão e a exposição da competição como finalista regional, e da dupla Ana e Zé, do Do Pão ao Caviar, que representa uma geração menos presa a formatos tradicionais e mais aberta a novos modelos de atuação. Juntos, eles ajudam a deslocar a discussão de um lugar aspiracional para um terreno mais concreto, em que erros, tentativas e ajustes fazem parte do processo.
Construção de repertório
Criada para chefs de até 30 anos, a S.Pellegrino Young Chef Academy Competition nasceu com a ambição de descobrir talentos, mas ao longo dos anos acabou se consolidando como algo mais amplo: uma plataforma de construção de repertório. Há histórias conhecidas de participantes que, mesmo sem vencer, voltaram para suas cozinhas com novas perspectivas, conexões e, sobretudo, um senso mais claro de identidade. Em um universo em que a técnica pode ser ensinada, mas a voz própria precisa ser construída, esse tipo de experiência costuma ser decisivo.
Entre as curiosidades que cercam a competição, uma chama atenção: o peso da chamada signature dish. Mais do que um prato bem executado, ela funciona como uma síntese de quem o cozinheiro é naquele momento. Não se trata apenas de sabor, mas de narrativa, de contexto e de intenção. É sobre isso que muitos dos diálogos no Broca devem girar, com trocas diretas, sugestões e até ajustes finos que raramente aparecem em ambientes formais.
Nesta edição, há ainda um movimento que, embora discreto, pode alterar o perfil dos participantes brasileiros: pela primeira vez, todo o processo de inscrição pode ser feito em português. Em um país onde o talento muitas vezes esbarra em barreiras práticas, a mudança tem potencial de ampliar o alcance da competição e revelar vozes que antes ficavam à margem.
S.Pellegrino Young Chef Academy 2026–2027
Data: 4 de maio de 2026
Horário: das 11h às 14h30
Local: Broca
Rua Aspicuelta, 429, Alto de Pinheiros, São Paulo
Entrada gratuita, mediante inscrição prévia
Inscrições no link
Inscrições para a competição no link :
@sanpellegrino_youngchef
@sanpellegrino_br


