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Thiago Sodré: uma vida na cozinha

Carioca, chef, baterista, amante de rock e criador de conteúdos. Conheça mais sobre ele, que desde pequeno tem amor pela culinária e vive o dia a dia dos restaurantes!

Com muita alegria e sorriso no rosto, o chef Thiago Sodré, de 36 anos, contou sobre a trajetória de vida, os desafios enfrentados para tocar um restaurante e também falou sobre o amor pela música.

O início da jornada de sabores

Vindo de uma família com tempero no sangue, o carioca cresceu sempre tendo contato com a culinária. O pai, Marcos Sodré, também é chef e junto com o avô, são as grandes inspirações para Thiago. “A família sempre foi a grande inspiração, a maior. Meu pai é muito criativo, estamos sempre criando coisas novas, trocando ideias e experimentando novas possibilidades”, completa o chef. 

Na família do chef Thiago Sodré os homens sempre cozinhavam. Segundo ele, o avô fazia a ceia de natal, preparava o próprio pão e desde pequeno, o futuro chef acompanhava os processos de preparo. 

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O avô, George, viajava para os Estados Unidos e de lá trazia muitas publicações de gastronomia e utensílios de cozinha. A paixão foi passada para a geração seguinte e o Marcos começou a nutrir o mesmo carinho pela culinária e seguiu os passos. No começo foi apenas um hobbie para o pai de Thiago.

Foi então quando o pequeno Thiago tinha 11 anos que o pai decidiu abrir o restaurante Sawasdee, em Búzios: “praticamente cresci dentro do restaurante, estava sempre ajudando, acompanhando e provando. Comecei a gostar e a cozinhar também. Depois que terminei a escola, fui estudar gastronomia”. 

Em 2007, o futuro chef se formou em gastronomia e o pai recebeu uma proposta para abrir mais uma unidade do restaurante, dessa vez no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro. Thiago Sodré saiu direto da faculdade para ajudar a família no restaurante, e permaneceu por lá por alguns anos. 

O tempo trabalhando na Cidade Maravilhosa serviu de muito aprendizado para ele e inclusive rendeu prêmios para o chef Thiago. Em 2010, foi eleito o chef revelação do ano por uma publicação carioca. 

Depois de um tempo, Thiago Sodré quis desbravar novos caminhos e ter novas experiências. Até 2017, o chef não trabalhou em restaurantes, preferiu dar aulas e se aventurar abrindo uma marca de molhos inclusive. 

A volta aos restaurantes foi em 2017, trabalhando no Nola, também no Leblon. O chef ficou lá por 5 anos. 

O chef hoje

Após esse período no Nola, o chef focou na criação de conteúdos para as redes sociais e começou a fazer consultorias para o grupo Turn the Table Brasil. Essa parceria deu tão certo que, atualmente, Thiago Sodré comanda as operações do grupo, que conta com os seguintes restaurantes e estabelecimentos: A Saideira, O Pasquim Bar e Prosa, Vero! Coquetelaria e Cozinha e A Ventana. São ao todo 13 locais e há previsão de expansão para A Saideira. 

Para quem viaja de avião, a alimentação é uma questão complicada. A comida nos aeroportos nem sempre é saborosa, muitas vezes é cara e ainda é preciso comer rapidamente para não perder o voo. E A Saideira é um restaurante pensado para esse grupo de viajantes. 

A ideia do restaurante é levar a praia para dentro dos aeroportos, trazendo sempre elementos da cidade em que ele está instalado. Além disso, há diferentes opções de comidas, para todos os horários. 

Atualmente, A Saideira está localizada no RIOgaleão, no Rio de Janeiro e mais uma em Florianópolis. E em breve novas três unidades vão ser inauguradas, em Fortaleza, Vitória e Guarulhos. E essa unidade do Aeroporto Internacional de Guarulhos não vai estar na área restrita do terminal. 

Com tantas casas para administrar, a missão do chef não é simples. O trabalho em equipe é fundamental, pois sozinho a missão seria ainda mais difícil.

Dicas para as próximas gerações de chefs

Para quem pensa em seguir no ramo da culinária e principalmente abrir um restaurante, o chef recomenda muito estudo: “é importante estudar bastante e ter uma proposta clara do que você quer. E também entender se essa proposta vai funcionar no local que você pensa em abrir o estabelecimento”. 

O chef ainda disse que entender a região é muito importante e que vale a pena pesquisar a fundo qual o tipo de comida vai bem no local. Segundo ele, não é porque uma coisa deu certo em um lugar, ela vai necessariamente funcionar em outro. Cada bairro tem um estilo de clientela e de público. 

Chef Thiago Sodré | Foto: Fabiana Kocubey

“Uma pesquisa de campo minuciosa é fundamental para dar certo. Conversar com o pessoal do bairro, entender as dores e vontades daquelas pessoas pode ajudar muito. Não é porque não tem um restaurante de comida tailandesa em determinado local que ele não vai vingar. Às vezes as pessoas estão em busca desse tipo de culinária por lá mesmo”

Além de estudar, a mão de obra é uma questão a ser pensada. No ramo da culinária, a rotatividade é muito grande e os funcionários estão sempre saindo, o que precisa ser pensado para que o restaurante tenha sucesso. 

Mas com tantos restaurantes e bares abrindo, ter sucesso nesse ramo não é tão simples. Segundo o chef, para que um estabelecimento dê certo, ele não pode somente servir uma boa comida, é preciso ter um bom ambiente, bom atendimento e proporcionar uma experiência completa para o cliente. 

“Se for só para comer, a pessoa pede um delivery. Quem sai de casa não quer só comer, só se alimentar, ela quer uma experiência completa”. 

Para os novos estabelecimentos, ou os que já estão funcionando, o chef disse que é importante ter opções variadas de comidas e bebidas para pessoas com restrições alimentares, ou que não consumam álcool. Segundo Thiago Sodré, tornar o estabelecimento mais democrático ajuda a não excluir ninguém e dar uma experiência melhor para todos.

“Você precisa ter uma opção vegana, uma opção vegetariana e também no bar opções sem álcool, que vão além do suco e do refrigerante. Você precisa aceitar todos e fazer o seu melhor para atender todo o público no seu restaurante”.

Redes de sabores

Uma das frentes de atuação do chef são as redes sociais. Quando o Youtube estava começando a dar os primeiros passos em 2007, Thiago Sodré já estava por lá postando receitas. O carioca conta que um dos amigos era da área da computação e foi uma das pessoas que o incentivou a criar conteúdo. 

O chef contou que sempre gostou de filmar e começou a ter uma certa paixão por edição de vídeos. E graças a esse colega, Thiago Sodré foi aprendendo a utilizar programas de edição de imagens e vídeos. 

A experiência foi muito prazerosa para o carioca. Mas com a rotina corrida no restaurante, ele teve que deixar um pouco de lado a criação de conteúdo. Outro fator que ajudou nessa decisão foi que o retorno financeiro não era tão interessante: “fazia, trabalhava, gravava, mas não via um retorno e não conseguia ver isso como um trabalho”.  

Em 2014, o chef criou um novo canal, ativo até hoje, o Cookfork, que conta com mais 123 mil inscritos. No Instagram, o perfil do chef é @thiagosodre, com 272 mil seguidores.  

E se engana quem pensa que o conteúdo é somente para quem já tem bastante conhecimento na cozinha. O intuito do chef é mostrar que tendo os ingredientes, é possível fazer pratos diferentes e fugir do óbvio. 

Uma das partes mais importantes das redes sociais para Thiago Sodré é a conexão entre as pessoas e que gera empatia. Por esse motivo, o chef já postou algumas vezes quando a receita saiu errada: “não é porque a receita não deu certo que a pessoa tem que desistir”. 

Livros e rock ‘n roll

Quando perguntado sobre livros, o chef contou que em sua casa há diversos livros de gastronomia espalhados. E Thiago Sodré deu algumas recomendações aos leitores: “Gosto muito do Yotam Ottolenghi, ele tem o livro Jerusalém, Simples, Comida de Verdade. A pegada e a abordagem que ele tem com a comida, a mistura de ingredientes é sensacional. Tenho vários livros do Jamie Oliver, Gordon Ramsay, da Rita Lobo, são ótimos também”.  

Um outro gosto muito forte para o chef carioca é a música. Para quem não sabe, ele inclusive toca bateria e chegou a participar de bandas e grupos musicais. 

Na playlist de Thiago Sodré não pode faltar um bom rock. Mesmo muito eclético e escutando diversos estilos musicais, o chef tem um gosto muito forte pelo estilo que tem Chuck Berry como um de seus precursores. 

O chef contou duas experiências de show que foram marcantes para eles: “Fui ao Rock in Rio de 2022 no dia do Green Day e foi inesquecível, teve até pedido de casamento no palco. Outro show que foi um dos mais sensacionais foi o do Foo Fighters no Maracanã, em 2018”. 

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