Vinhos

Tintos de presença: a força do inverno em cada gole

Rótulos de Portugal e Itália revelam o lado mais vibrante de terroirs consagrados em três sugestões do sommelier Gustavo Giacchero

Com as temperaturas mais baixas já firmes, é natural que os vinhos ganhem mais corpo — tintos robustos, taninos intensos e alto teor alcoólico costumam dominar as taças nesta época do ano. Ainda assim, há rótulos que surpreendem ao equilibrar potência com frescor e leveza. A convite da Wine Trader, o sommelier Gustavo Giacchero — responsável pela carta do restaurante Fasano, em Belo Horizonte — selecionou três rótulos que expressam com maestria essa harmonia. Dois tintos e um branco que revelam a força e a diversidade de terroirs como Alentejo, Puglia e Vêneto.

No sul de Portugal, o Alentejo é conhecido por seus verões escaldantes e vinhos concentrados. Mas também guarda tradições ancestrais que resultam em rótulos singulares, como o Talha de Argila Branco I.G.P, da Herdade Anta de Cima. Elaborado em ânforas de barro, as chamadas talhas, o vinho respeita os preceitos romanos ainda vivos na região. O resultado é um branco de textura untuosa e acidez vibrante, com notas de frutas brancas, ervas frescas, cera de abelha e um toque terroso e mineral. “É um vinho de identidade, que combina leveza e profundidade com potencial de guarda”, afirma Giacchero.

Do extremo sul da Itália vem o Brunilde di Menzione Primitivo di Manduria Riserva 2019, produzido na ensolarada Puglia. A casta Primitivo — geneticamente próxima à californiana Zinfandel — encontra ali um terroir ideal para expressar sua exuberância. Com 15% de álcool, o vinho entrega camadas de frutas maduras, como ameixa e figo, envoltas por aromas de rosas secas, chocolate, especiarias e um toque de madeira nobre. Em boca, taninos aveludados e acidez equilibrada garantem fluidez e prazer. “Um vinho que conforta, sem pesar”, define o sommelier.

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Fechando a seleção, o clássico Amarone della Valpolicella Castelnuovo DOCG 2020, do Vêneto, norte da Itália. Produzido com uvas locais passificadas — método conhecido como appassimento —, o Amarone é referência entre os vinhos de inverno. A concentração de açúcares naturais gera um vinho encorpado e complexo, com notas de cerejas ao licor, baunilha, alcaçuz e especiarias doces. Apesar da densidade, surpreende pela acidez e frescor no final de boca. “É um tinto que preenche e convida ao próximo gole com elegância”, resume Giacchero.

Três propostas distintas, com origens e histórias únicas, mas uma mesma essência: vinhos de alma intensa e frescor cativante, ideais para aquecer os dias frios sem abrir mão da leveza. A curadoria é parte do trabalho da Wine Trader, marketplace especializado em rótulos finos e raros.

@winetraderbrasil

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Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

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