Um atentado à cultura alimentar na COP30
Prazeres da MESA e Mundo MESA repudiam a proibição de açaí, tucupi e maniçoba na COP30.
São Paulo, agosto de 2025 – A Prazeres da MESA e o Mundo MESA, maiores plataformas de gastronomia do Brasil, vêm a público manifestar repúdio veemente e indignação diante do absurdo contido no edital da ONU para a COP30, que proíbe o consumo e a oferta de três dos mais emblemáticos alimentos da Amazônia e da cultura alimentar brasileira: o açaí, o tucupi e a maniçoba.
A justificativa apresentada — “segurança alimentar” — é um equívoco que revela desconhecimento técnico, preconceito cultural e ignorância sobre a realidade da produção brasileira. O Brasil possui marcos legais robustos de vigilância sanitária em âmbitos federal, estadual e municipal que regulam com rigor a produção e comercialização desses ingredientes. Empresas, produtores e cooperativas amazônicas atuam dentro de normas reconhecidas internacionalmente, garantindo segurança e qualidade.
Perguntamos: por que apenas esses alimentos amazônicos foram listados?
Se a preocupação é sanitária, centenas de outros produtos, inclusive industrializados, também poderiam oferecer algum risco — mas não foram mencionados. O critério, portanto, não é técnico: é cultural. Trata-se de uma tentativa de silenciamento e exclusão de identidades alimentares que deveriam estar no centro de um evento que se propõe a discutir sustentabilidade, biodiversidade e justiça climática.
O açaí, o tucupi e a maniçoba são mais do que ingredientes: são símbolos de resistência cultural, de biodiversidade preservada e de modos de vida tradicionais. Proibi-los em plena COP30, em Belém, é negar a Amazônia aos amazônidas, é retirar da mesa global o que temos de mais legítimo e transformador para apresentar ao mundo.
A decisão vai na contramão de tudo que a própria ONU reconhece e valoriza. Em 2010, a UNESCO incluiu práticas gastronômicas como patrimônio cultural imaterial da humanidade — a refeição gastronômica francesa, a cozinha tradicional mexicana. Como pode agora a ONU, por ignorância ou descaso, criminalizar práticas alimentares brasileiras que são expressão viva de povos e territórios?
A Prazeres da MESA e o Mundo MESA conclamam imediatamente:
• Que a ONU reveja e corrija este dispositivo discriminatório no edital da COP30;
• Que o governo brasileiro, em todas as suas instâncias, defenda a soberania alimentar e cultural do país;
• Que chefs, produtores, cozinheiros, pesquisadores, jornalistas e toda a sociedade civil se unam nesta causa, pois defender o açaí, o tucupi e a maniçoba é defender o Brasil, sua biodiversidade e seu futuro.
Não aceitaremos que, em nome de uma suposta segurança alimentar, se imponha um veto que, na prática, é preconceito, colonialismo e ignorância institucionalizada. A COP30 deve ser palco de diálogo, não de exclusão.
Prazeres da MESA e Mundo MESA reafirmam seu compromisso histórico de dar voz, visibilidade e legitimidade às cozinhas do Brasil profundo. Seguiremos mobilizando a imprensa, entidades culturais, órgãos de patrimônio e a sociedade para reverter esta aberração.
A Amazônia não se cala. O Brasil não se cala.



