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Um Chile muito além do previsível

Grand Cru amplia portfólio da 1865 com Pinot Noir cultivado por Mapuches, Cabernet Sauvignon que estagia em barricas de pisco e ícone a R$ 999

Por Celso Masson (@celsomasson)

Criada em 1997 como uma homenagem ao ano de fundação da chilena Viña San Pedro, a marca 1865 representou uma aposta do grupo VSPT no segmento premium a partir de uma ideia central: valorizar as variedades e as características de vales distintos do Chile. Hoje, a marca possui cerca de 150 hectares de vinhedos desde o norte até o sul do Chile. Eles produzem mais de 1,3 milhão de litros exportados para 40 mercados, com destaque para a Coreia do Sul, onde é a número 1 em vendas, e a China.

No Brasil porém, apenas uma pequena amostragem da 1865 estava disponível até recentemente, com poucos rótulos da linha Selected Vineyards nas prateleiras. Isso acaba de mudar. Com a importação agora a cargo da Grand Cru, começa a chegar uma gama bem mais completa da 1865. Até o início de agosto, quase todos os rótulos estarão à venda por aqui, alguns exclusivamente no canal 2B2. Outros já estão nas mais de 100 lojas e no e-commerce da Grand Cru.

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Viña San Pedro / Foto: divulgação

O ícone é o 1865 Prelusion D.O. Maipo Andes Valley, um blend de inspiração bordalesa elaborado com 72% de Cabernet Sauvignon, 18% de Cabernet Franc e 10% de Merlot, que chega custando R$ 999,90. O vinho amadurece 20 meses em barricas de carvalho francês (50% novas) e obteve 97 pontos no Decanter World Wine Awards logo em sua primeira safra.

Mas é nas experimentações da jovem enóloga Andrea Calderón que os vinhos premium da 1865 revelam o quanto é possível ir além do óbvio. “Cada lugar tem sua própria expressão, e capturá-la em uma garrafa envolve uma jornada única”, disse Andrea na degustação de dez rótulos que conduziu em São Paulo para apresentar as novidades da marca.

Viña San Pedro / enóloga Andrea Calderón / Foto: divulgação

Entre os destaques, o Tayu, palavra da língua mapudungu que significa Nós. É um Pinot Noir proveniente de vinhedos cultivados por 11 famílias de povos originários da etnia Mapuches que vivem na da comunidade Buchahueico, do Vale de Malleco, no sul do Chile. O projeto teve apoio do governo e é digno de aplausos por promover viticultura sustentável e inclusão social. Cada família possui 2,5 hectares de terra e recebeu mudas para cultivar uvas pela primeira vez. “Eles antes se dedicavam a extrair pinus para a produção de madeira. Agora tratam os vinhedos como se fosse um jardim”, diz Andrea.

Segundo ela, a colheita é lenta, envolve rituais de consagração do solo e, após a vindima, são feitas seis microvinificações, sendo 30% integral, usando cachos completos. Após fermentado, o vinho segue para recipientes distintos: foudres de 2 mil litros sem tosta (27% do total), ovos de concreto (10%) e barris de carvalho francês de 225 litros com quatro anos de uso (50%). O restante (13%) permanece em tanques de aço inox, favorecendo o perfil fresco e frutado desse vinho. “É um Pinot diferente, mais terroso, com notas de cogumelos e das ervas que crescem no meio dos vinhedos, como hortelã e lavanda”, descreve a enóloga.

Outra boa surpresa é o Double Barrel, Cabernet Sauvignon do Vale de Maipo que após estagiar por um ano em carvalho francês, permanece seis meses em barricas anteriormente utilizadas na produção de pisco, o destilado de uvas típico dos países andinos. É o único vinho do mundo com essa técnica. “Quando fizemos essa experiência pela primeira vez, o teor alcóolico saltou de 14,2% para 15,9%, e o vinho foi descartado. Passamos a usar um vinho base menos alcoólico e barricas maiores”, o que resultou em um vinho intenso, encorpado e de aromas florais incomuns para o Cabernet Sauvignon.

Viña San Pedro / Foto: divulgação

Há ainda o Master Blend, cuja proposta é mostrar o melhor de cada safra, independentemente da variedade e da região; o Syrah Desert Valley, do Vale de Elqui, próximo ao deserto do Atacama, onde quase não chove e há muita incidência de luz solar; e um Cabernet Sauvignon obtido de vinhas com mais de 70 anos (Old Vines), envelhecido em barricas de carvalho francês antigas.

Andrea é engenheira agrônoma formada pela Universidade Católica do Chile e ingressou na San Pedro em 2018 como parte da equipe de Marcas Premium. “Sempre gostei de estar em contato com a natureza e o campo. É maravilhoso poder combinar isso com o mundo das sensações e percepções que produzem um produto tão nobre quanto o vinho “, afirma. Seus vinhos têm obtido ótimas pontuações. Até o Syrah do deserto, que ela considera “controverso”, conseguiu 94 pontos de Tim Atkin e James Suckling. Ele chega ao Brasil custando R$ 579,90.

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