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Uma noite para quem trata Brunello quase como religião

Giovanna Perrone e Marco Renzetti cozinham juntos na Cellar Cave em jantar dedicado à nova safra de Stella di Campalto

São Paulo aprendeu, nos últimos anos, a transformar segundas-feiras em território gastronômico sério. Não apenas para chefs, sommeliers e gente do mercado, mas também para um público que passou a enxergar certos jantares quase como apresentações únicas. É exatamente nessa categoria que entra a noite que a Cellar Cave prepara para o próximo 25 de maio, quando Giovanna Perrone recebe Marco Renzetti para um menu harmonizado em torno da nova safra de Stella di Campalto, um dos nomes mais reverenciados de Montalcino.

Não se trata simplesmente de abrir grandes garrafas italianas. Stella di Campalto ocupa um lugar especial entre os produtores que ajudaram a redefinir a imagem contemporânea do Brunello. Enquanto parte da região ficou marcada por tintos potentes e extraídos, a vinícola construiu reputação apostando em vinhos mais vibrantes, profundos e cheios de nuances, elaborados sob princípios biodinâmicos e com uma obsessão quase artesanal pelo detalhe. São rótulos disputados em restaurantes estrelados, caves particulares e listas de espera internacionais, muitas vezes produzidos em volumes pequenos o suficiente para desaparecer rapidamente do mercado.

Na cozinha, a noite reúne duas sensibilidades que ajudam a explicar o momento atual da gastronomia paulistana. Giovanna Perrone chega carregando uma trajetória que mistura formação clássica, passagens por cozinhas francesas de peso e uma habilidade rara de transformar técnica refinada em comida que mantém emoção e naturalidade. Desde os tempos de Attimo, passando pelas experiências com Alain Ducasse, pela vitória no Top Chef Brasil e pelos projetos mais recentes, sua cozinha sempre pareceu interessada menos em impacto imediato e mais em profundidade de sabor.

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Marco Renzetti entra como contraponto perfeito. Romano, dono de uma cozinha italiana que foge da caricatura e da nostalgia fácil, o chef consolidou seu nome em São Paulo justamente pela capacidade de trabalhar tradição com elegância contemporânea. No Fame Osteria e também no Nino Cucina, ajudou a criar uma leitura de italianidade que prefere precisão, produto e sutileza a qualquer excesso cenográfico.

O menu criado pelos dois nasce exatamente desse encontro. Cada prato foi pensado para dialogar diretamente com os vinhos servidos ao longo da noite, numa construção que deve percorrer diferentes temperaturas, texturas e camadas aromáticas. Na prática, será menos um jantar tradicional e mais uma espécie de viagem por Montalcino interpretada a partir de São Paulo.

Também faz sentido que tudo aconteça justamente na Cellar Cave. Desde a abertura, a casa construiu personalidade própria ao tratar o vinho como eixo principal da experiência. Em vez de uma carta criada para acompanhar pratos, a lógica ali frequentemente se inverte. A cozinha nasce a partir das garrafas, da curadoria e das histórias por trás dos produtores. Com mais de 150 rótulos de pequenos nomes do Velho Mundo importados com exclusividade, o espaço rapidamente virou um dos endereços mais interessantes para quem gosta de vinho em São Paulo sem paciência para formalidades excessivas.

Os ingressos custam R$ 3.250 por pessoa e R$ 6.200 o casal, incluindo o menu completo harmonizado. As reservas podem ser feitas pelo site da Cellar Vinhos

@cellar.cave

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Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

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