Viña Ventisquero: do deserto ao cálice
Vinícola chilena revela a força do Atacama em seus vinhos
Produzir vinhos em um dos cenários mais extremos do planeta — onde o deserto do Atacama toca o Pacífico — já seria uma façanha. Mas a Viña Ventisquero preferiu ousar ainda mais. Com espírito inquieto e visão afiada, transformou essa paisagem árida e salina em um projeto vitivinícola de tirar o fôlego. As linhas Tara e Grey Sauvignon Blanc, importadas pela Cantu Grupo Wine, capturam diferentes leituras de um mesmo território inóspito, revelando a elegância crua do deserto em forma líquida.
O Tara Sauvignon Blanc nasce no Vale do Huasco, em solos calcários com salinidade marcante, e é pura expressão natural. Fermentado espontaneamente com leveduras nativas, sem adição de insumos, sem clarificação ou filtração, amadurece em ovos de concreto e foudres neutros de carvalho. É um branco direto, vibrante, com acidez cortante, textura firme e mineralidade quase tátil. No nariz, notas de limão siciliano, grapefruit, pedra molhada e maresia. A revista britânica The Buyer destacou sua precisão, frescor e mineralidade “chalky”, como se o vinho falasse o idioma do deserto.

Já o Grey Sauvignon Blanc oferece uma abordagem mais polida do mesmo terroir. Vem de um single block no vinhedo Longomilla, a apenas 23 km do mar, influenciado por neblina e ventos frios que refrescam as vinhas. Após a fermentação, repousa por 10 meses em foudres de 2.500 litros, sobre as borras, com bâtonnage periódica. O resultado é um vinho de textura cremosa e profunda, com aromas de lima, ervas finas, pimenta verde e notas marinhas que evocam conchas, algas e sal. Em boca, combina estrutura e frescor, com final longo e salino.

Ambos refletem a alma bruta e, ao mesmo tempo, delicada do Atacama. O Tara é mais selvagem, provocador, quase anárquico. O Grey, mais contido e elegante, desenhado em linhas finas. Segundo a Decanter, trata-se de uma interpretação vibrante de grapefruit, tangerina e salinidade precisa.



