Vinhos

Vinho entra na guerra comercial entre Estados Unidos e Canadá

Nova tarifa americana de 50% atinge rótulos canadenses, enquanto Ottawa prepara o troco para setembro e transforma as bebidas em mais um capítulo da disputa entre os dois países

Se faltava alguma coisa para complicar o já desafiador mercado mundial do vinho, ela chegou em forma de tarifa. Estados Unidos e Canadá abriram um novo capítulo de sua guerra comercial e, desta vez, as garrafas entraram diretamente na conta. Washington passou a cobrar uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos canadenses, incluindo vinhos, enquanto Ottawa prepara a resposta para setembro.

A nova taxação americana entrou em vigor em 22 de agosto e alcança cerca de US$ 20 bilhões em exportações canadenses. Segundo a Reuters, a medida foi adotada depois que as negociações entre os dois países terminaram sem acordo, ampliando uma disputa que já envolvia setores como aço, alumínio e automóveis. Agora, o vinho também cruza a fronteira carregando um peso extra considerável.

Para as vinícolas canadenses, especialmente aquelas que construíram mercado nos Estados Unidos, a matemática fica indigesta. Uma tarifa de 50% altera completamente a formação de preço antes mesmo de entrarem na conta custos de distribuição, impostos e margens do varejo. O impacto tende a ser particularmente sentido por produtores menores, com menos espaço para absorver parte do aumento sem repassá lo à garrafa.

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O vinho, porém, não caiu nessa história por acaso. As bebidas alcoólicas já ocupavam um lugar delicado nas relações comerciais entre os vizinhos. Washington critica há tempos as barreiras e regras provinciais que dificultam o acesso de bebidas americanas ao mercado canadense, enquanto o Canadá já havia respondido às tarifas dos Estados Unidos impondo taxas de 25% sobre diversas categorias de vinhos americanos.

Na prática, criou se uma espécie de duelo de adegas. De um lado, produtores americanos encontram um Canadá mais caro e difícil de acessar. Do outro, as vinícolas canadenses agora encaram uma tarifa de 50% para chegar ao consumidor dos Estados Unidos. Uma fronteira que sempre foi fundamental para o comércio dos dois países começa a ficar especialmente espinhosa para quem trabalha com vinho.

E Ottawa já avisou que pretende devolver a gentileza. O primeiro ministro Mark Carney anunciou novas tarifas retaliatórias sobre produtos americanos a partir de 8 de setembro. Segundo a Reuters, a resposta deverá buscar proporcionalidade em relação às medidas impostas por Washington, enquanto o governo canadense estuda formas de apoiar os setores mais atingidos.

A disputa chega em péssima hora para o vinho. A indústria mundial tenta lidar com queda no consumo em mercados tradicionais, estoques elevados em algumas regiões e uma geração de consumidores que bebe menos e escolhe de maneira diferente. Colocar uma tarifa dessa dimensão sobre a garrafa significa acrescentar mais uma dificuldade a uma cadeia que já anda fazendo contas.

 

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