Durante muito tempo, vinho português no Brasil significava quase sempre duas ou três referências clássicas, alguns tintos robustos do Douro e o inevitável Porto encerrando a refeição. Só que Portugal mudou. E mudou rápido. Nos últimos anos, o país virou uma das origens mais interessantes do vinho contemporâneo justamente por conseguir algo raro: preservar identidade sem ficar preso ao passado. Hoje, fala com naturalidade tanto com quem procura grandes garrafas de guarda quanto com uma geração que busca frescor, precisão e vinhos menos caricatos. É exatamente esse retrato que desembarca em São Paulo entre os dias 28 e 30 de maio, quando o evento Vinhos de Portugal transforma o Shopping JK Iguatemi numa espécie de pequena embaixada etílica lusitana.
A 13ª edição do encontro chega maior, mais ambiciosa e com uma programação que ajuda a entender por que Portugal atravessa um momento tão sedutor dentro do vinho mundial. Ao longo de três dias, serão 77 produtores portugueses, cerca de 700 rótulos disponíveis para degustação e uma sequência de provas comentadas que aproximam o público de alguns dos nomes mais importantes da atual enologia portuguesa.
Personalidade na garrafa
Existe algo particularmente interessante nessa nova geração portuguesa. Diferente de outras regiões que correram atrás de padronização internacional, Portugal parece ter entendido cedo que seu maior luxo estava justamente nas diferenças. O país mantém centenas de castas autóctones, regiões completamente distintas entre si e uma relação muito emocional com vinhas velhas, altitude e patrimônio agrícola. Talvez por isso os vinhos portugueses tenham ganhado tanta personalidade nos últimos anos.
Entre os nomes mais aguardados desta edição está Carlos Agrellos, da Quinta da Romaneira, produtor associado a alguns dos trabalhos mais respeitados do Douro contemporâneo e também reconhecido pela passagem na Quinta do Noval. Ele participa da prova “Entre a Tradição e a Inovação” ao lado de Manuel Lobo de Vasconcellos, da Quinta do Crasto, em um encontro que praticamente resume o atual momento português: técnica refinada, respeito ao território e menos ansiedade por potência exagerada. A condução será de Dirceu Vianna Junior, o único Master of Wine de língua portuguesa.
Outra presença cercada de expectativa é a dupla Sandra Tavares e Jorge Serôdio Borges, da Wine & Soul, responsáveis por alguns dos vinhos mais desejados do Douro moderno. Desde a criação do projeto, em 2001, o casal ajudou a transformar rótulos como Pintas e Guru em símbolos de uma nova leitura da região, mais elegante, mais precisa e muito menos dependente de excesso de madeira ou concentração.
O Dão também aparece em grande fase no evento com a participação de Paulo Nunes, enólogo ligado a projetos como Casa da Passarella e D. Sancha. Nos últimos anos, a região deixou de ser vista apenas como território clássico para virar uma das áreas mais fascinantes de Portugal quando o assunto é frescor, altitude e vinhos de enorme capacidade gastronômica.
Ativações e destaques
Mas talvez uma das provas mais curiosas da programação seja “Vinhos Extraordinários, Mundial de Futebol”, experiência conduzida por Dirceu Vianna Junior que conecta grandes safras a anos emblemáticos das Copas do Mundo, incluindo 1962, 1974, 1990, 2002 e 2022. Uma ideia improvável o suficiente para funcionar muito bem.
Além das provas fechadas, o tradicional Salão de Degustação segue como coração do evento. É ali que acontecem os encontros improváveis, as descobertas inesperadas e aquele momento clássico em que alguém para diante de uma casta desconhecida, prova por curiosidade e sai pensando como nunca tinha bebido algo parecido antes.
O evento ainda contará com espaços dedicados ao enoturismo, mesas descontraídas no projeto “Tomar um Copo”, ativações culturais e áreas gastronômicas que ajudam a mostrar como Portugal talvez viva hoje uma das fases mais interessantes da sua história recente à mesa e na taça.
Vinhos de Portugal no Brasil 2026
28 a 30 de maio
Shopping JK Iguatemi
Ingressos e programação no site



