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Vitivinicultura brasileira apoia acordo Mercosul União Europeia, mas alerta para risco de desequilíbrio competitivo

Consevitis RS reconhece o valor estratégico do tratado, mas defende políticas internas urgentes para proteger a produção nacional e a agricultura familiar

O setor vitivinícola brasileiro acompanha de perto a evolução do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado de forma provisória pelos países do bloco europeu. Em posicionamento oficial, o Consevitis-RS afirma não se opor institucionalmente ao tratado, resultado de mais de vinte anos de negociações e considerado relevante para o Brasil por seu potencial de ampliar o acesso a mercados internacionais, fortalecer relações comerciais e estimular o desenvolvimento econômico.

O apoio, no entanto, vem acompanhado de um alerta claro. A abertura gradual do mercado brasileiro à entrada de vinhos europeus, prevista com a redução e eventual eliminação das tarifas de importação ao longo dos próximos anos, tende a impactar diretamente o setor nacional. Para o Consevitis RS, o ponto sensível não está no acordo em si, mas na profunda assimetria entre as condições de produção e comercialização do vinho no Brasil e aquelas praticadas em países concorrentes.

Em importantes nações vitivinícolas como Itália, Espanha, Portugal e Argentina, o vinho é tratado como alimento, patrimônio cultural ou produto de interesse nacional. Nessas origens, o setor conta com cargas tributárias mais equilibradas, políticas de incentivo, subsídios e instrumentos de proteção à produção. No Brasil, por outro lado, o vinho permanece submetido a uma elevada tributação interna e a um ambiente regulatório que limita sua competitividade e amplia a vulnerabilidade frente aos produtos importados.

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Sem a adoção de medidas internas de equilíbrio, o avanço do acordo pode aprofundar desvantagens já enfrentadas pelo vinho brasileiro, hoje pressionado inclusive pela concorrência de rótulos oriundos de países do próprio Mercosul. O impacto tende a se espalhar por toda a cadeia produtiva, fortemente ancorada na agricultura familiar, afetando milhares de famílias, cooperativas e vinícolas, além de comprometer atividades associadas como o enoturismo, importante vetor de geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.

O posicionamento chama atenção ainda para o suco de uva, produto estratégico para a vitivinicultura nacional e responsável por parcela expressiva da produção brasileira. Com forte relevância econômica, social e nutricional, o segmento é considerado essencial para a sustentabilidade do setor e precisa ser valorizado dentro de qualquer política de longo prazo.

Diante desse cenário, o Consevitis RS defende que o acordo Mercosul União Europeia avance acompanhado de políticas públicas estruturantes, como a revisão da carga tributária sobre o vinho nacional, a implementação de instrumentos eficazes de seguro agrícola e vinícola e medidas que garantam condições mais equilibradas de competição. O instituto reforça a importância do diálogo permanente com o governo federal e demais instâncias governamentais para assegurar competitividade, sustentabilidade e continuidade a uma cadeia produtiva fundamental para o desenvolvimento de diversas regiões do país.

O posicionamento foi divulgado em Bento Gonçalves, em 9 de janeiro de 2026, e é assinado por Luciano Rebellatto, presidente, e Daniel Panizzi, vice presidente do Consevitis RS.

@consevitisrs
@vinho.brasileiro
@sucodeuvabrasileiro
@winesofbrazil

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Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

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