Além do vidro
Empresária que abastece com copos e taças estabelecimentos de todo o Brasil quer fortalecer a cultura do bar
À frente da Vitrus, empresa com quase 30 anos que tem o maior portfólio de glassware do Brasil, Tatiana Foresta vai além de ser curadora de vidros. Entre peças nacionais e importadas – não só copos e taças, mas louças –, ela se dedica a promover a cultura de bar. Apoia concursos e realities que buscam evidenciar novos talentos, trabalha com marcas de bebidas brasileiras e está de olho no futuro do álcool – que é ser consumido em menor quantidade.
“Aprendi a olhar copos de outras bebidas para os mini drinques, como o de licor, o de grappa.” Além da preocupação com a saúde, o efeito Mounjaro também impacta na diminuição do consumo, sobretudo de coquetéis mais encorpados. “É preciso ter copos menores para drinques que são ‘álcool sobre álcool’, para que as pessoas continuem a bebê-los.” Agora, há uma coleção específica para atender a demanda que não para de crescer. “Postei a taça de Martini de 75 ml e, uma semana depois, já não tinha mais nenhuma peça.” Apesar de não produzir os objetos, Tatiana não deixa de atender os clientes: já cortou 10 mil taças de vinho para obter taças Nick & Nora – aquelas de haste longa e bojo arredondado, para servir drinques sem gelo – para um bar.

Personalizar, colocar a marca, pintar copos, também podem fazer parte do roteiro. “A partir de 100 unidades, cuido do projeto todo. Como os copinhos do Sur Vermut, que acontece pela primeira vez no Brasil”, refere-se ao maior encontro de vermutes da América Latina, que aconteceu dia 20 de setembro, em São Paulo. Projetos com Pernod, marcas premium da Ambev, Diageo, The House of Suntory e outras empresas estão no portfólio. “Uma vez, fizemos um copo com flores de cerejeira para o Roku”, diz, referindo-se ao gin japonês. “Também já trouxemos um tableware da espanhola Pordamsa para o Tangará Jean-Georges.”
Sua empreitada mais recente é ao lado do bartender Laércio Zulu: além da operacionalização da cachaça Zuluzzêra, ela está por trás da distribuição do primeiro bitter 100% brasileiro fabricado por ele. “O preço é agressivo e a qualidade, excepcional. Agora é dar um impulso, para a venda em larga escala.”
O que muito move a Tatiana é promover a cultura de bar. “Precisamos investir na galera que está chegando, são as pessoas que vão virar consultores, gerentes e donos.” Ela faz questão de apoiar os novatos, enviando copos para eles usarem em concursos, por exemplo. “De um tempo que eu tinha que oferecer, hoje eles me ligam. No último campeonato da Verve Destilaria, de dez participantes, sete usavam nossos copos.” De maior visibilidade, o reality show Shaking The Bar, da Sony Channel Brasil, também conta com copos da Vitrus: 90%. “Inclusive nas festas.” O curso de bartender da ONG Colmeia, que atende jovens em situação de vulnerabilidade social, foi um dos mais recentes projetos que apoiou. “É muito importante deixar o mercado atualizado, para as pessoas saírem bem preparadas. Isso só é possível entregando para essas pessoas o melhor que existe”, diz Tatiana.



