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Wanderson Medeiros e o retorno às origens pelo fogo do baião

Chef paraibano transforma a Festa de São Sebastião em encontro popular ao preparar seu baião de dois para a população no coração da cidade

Voltar para casa pode ser um gesto simbólico. Em Picuí, no Seridó paraibano, esse retorno ganha cheiro de manteiga de garrafa, panela fumegante e mesa compartilhada. Natural da cidade, o chef Wanderson Medeiros é um dos destaques da Festa de São Sebastião ao assumir os fogões no centro da cidade e cozinhar para a população durante as celebrações do padroeiro.

Realizada entre os dias 11 e 21 de janeiro, a tradicional festa marca os 170 anos de devoção a São Sebastião e reúne fé, cultura e convivência. A programação mistura ritos religiosos, shows, saraus e atividades populares, atraindo cerca de quatro mil pessoas ao longo dos dias. No dia 17, a praça principal de Picuí se transforma em cozinha aberta com a chegada de uma panela de quase dois metros de diâmetro, onde o chef prepara o Seu Baião de São Sebastião.

O prato, servido a moradores e visitantes, leva carne de sol, queijo coalho, feijão verde, arroz, linguiça defumada, bacon e manteiga de garrafa. Uma receita robusta, direta e profundamente ligada à mesa nordestina. Esta é a terceira vez consecutiva que Wanderson participa ativamente da celebração, reforçando uma relação que vai além do calendário festivo e toca a própria história do chef.

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Hoje à frente do restaurante Picuí, em Alagoas, Wanderson construiu uma trajetória reconhecida pela valorização da cozinha nordestina, dos ingredientes locais e das tradições regionais. Em sua cidade natal, essa filosofia ganha contornos ainda mais concretos ao ocupar o espaço público e transformar um de seus pratos mais emblemáticos em símbolo de encontro.

O pré preparo acontece em Maceió, com sua equipe, e a finalização conta com o apoio de chefs locais e jovens da igreja. Em média, cerca de 500 pessoas são atendidas, com pratos vendidos por um valor simbólico e toda a renda revertida para a igreja. Mais do que cozinhar, o gesto reafirma a comida como elo social, memória viva e forma de pertencimento.

Em meio à festa, o baião de dois deixa de ser apenas receita e passa a ser narrativa. Um prato que conta a história de quem saiu, construiu caminho próprio e escolheu voltar para dividir, na praça, o que sabe fazer de melhor.

@chefwandersonmedeiros

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Horst Kissmann

Editor de Vinhos e Bebidas || @kissmann

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