Wine South America reúne produtores e profissionais do vinho na Serra Gaúcha
Feira apresentou lançamentos, degustações e a diversidade de terroirs que vem ampliando o mapa vitivinícola brasileiro
Flávia Maia (@degustandocomflaviamaia)
Em sua sexta edição, a Wine South America movimentou milhões em negócios ao longo de três dias e reuniu mais de 7 mil visitantes de mais de 20 países, consolidando-se como um dos encontros mais relevantes do calendário nacional. A presença internacional cresceu de forma significativa nesta edição. Buscando ampliar sua atuação no mercado brasileiro, que na contramão da realidade mundial, bateu recorde no consumo de vinho em 2025, a oferta de rótulos estrangeiros foi visivelmente ampliada em comparação com o ano passado. Mas, ainda assim, foram os rótulos nacionais que protagonizaram a feira, com estandes permanentemente movimentados por compradores, importadores e consumidores em busca de novidades.

Entre degustações e rodadas de conversa, um dos temas mais debatidos foi o acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia, que prevê a redução gradual das tarifas de importação para vinhos europeus até 2033. A preocupação é visível. Ricardo Morari, enólogo da Cooperativa Garibaldi, acredita que os produtores nacionais precisam se unir o mais rápido possível. Recém-chegado da Itália, onde provou vinhos de 2 euros bem honestos, ele teme o estrago que estes podem causar no mercado brasileiro.

Um dos destaques da feira foi o Projeto Comprador, iniciativa realizada em parceria entre o Sebrae e a organização da WSA, promovendo rodadas de negócios previamente agendadas entre vinícolas e compradores do Brasil e do exterior. A ação reforçou o caráter estratégico do evento para expansão comercial e abertura de mercados. No universo dos lançamentos e das uvas raras, a Cave Antiga chamou atenção com o Taffarel Schönburger & Chardonnay, branco elaborado com a variedade alemã Schönburger — atualmente cultivada em apenas cerca de 35 hectares no mundo. A vinícola é atualmente a única produtora da variedade no Brasil, contou o enólogo Cristhian Ambrosi.
Outra curiosidade veio da Altos do Paraíso, que apresentou um varietal elaborado com a uva espanhola Cayetana Blanca, tradicionalmente utilizada na região da Extremadura e ligada à produção dos vinhos fortificados de Jerez. Entre os novos rótulos, a Pizzato lançou um espumante moscatel demi-sec da linha Fausto. Magnólia, é elaborado pelo método tradicional e, “no palato, tem um ponto de açúcar intermediário, o que gera um espumante a base de uvas moscatel um pouco mais equilibrado no sentido de doçura e de expressão aromática”, explicou Flávio Pizzato, enólogo-chefe da vinícola.
Já a irreverente Sozo apresentou o Angry Berries, um clarete elaborado com Sangiovese, Montepulciano e Pinot Noir. O produtor Rodrigo Sozo define o vinho como “um tinto leve para ser apreciado gelado no verão e em temperatura ambiente no inverno”.

A feira também evidenciou a diversidade dos terroirs brasileiros. Representando o Vale do São Francisco, as vinícolas Rio Sol e Garziera mantiveram estande bastante movimentado durante o evento. “Nossa região desperta a curiosidade de brasileiros e turistas de diversas partes do mundo”, destacou Paula Teothonio, integrante do Conselho Regulador da Indicação de Procedência do Vale do São Francisco. As novidades, porém, não ficaram restritas aos lançamentos em taça. Mário Ieggli, enólogo da Bodega Czarnobay, antecipou a inauguração de um novo espaço enoturístico no Vale dos Vinhedos, com propostas voltadas a experiências imersivas e criativas. Ao final da sexta edição, a Wine South America confirmou o crescimento do setor e reforçou o protagonismo do vinho brasileiro no cenário internacional, encerrando a feira com números recordes e expectativas ainda maiores para 2027.



