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Yves Saliba abre a cozinha para o encontro

Per Lui e Cucina di Pastaio celebram o tempo com jantares que cruzam afetos, territórios e histórias

Quatro anos depois do Per Lui e dois do Cucina di Pastaio, o chef mineiro Yves Saliba escolhe celebrar abrindo espaço. Em duas noites, suas cozinhas deixam de ser extensão de uma assinatura individual e passam a funcionar como território de troca, onde diferentes repertórios se encontram sem a obrigação de chegar a um ponto comum.

No Per Lui, a presença do baiano Kaywa Hilton cria um tipo de encontro que não precisa de explicação. Minas aparece com sua construção silenciosa, quase introspectiva. A Bahia surge filtrada por uma técnica que atravessou cozinhas exigentes antes de voltar para casa. O resultado não busca equilíbrio nem síntese, porque entende que o interessante está justamente na fricção.

No dia seguinte, o Claudia Krauspenhar ocupa o Cucina di Pastaio com a mesma naturalidade de quem cozinha a própria memória. Sua cozinha, marcada por precisão e afeto, encontra nas massas artesanais de Yves um terreno fértil para diálogo. Não há sobreposição forçada, nem tentativa de impressionar.

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Tradição e memória reinventadas

Se hoje tudo soa orgânico, a origem carrega outra densidade. O Per Lui nasce de um intervalo duro, atravessado pela doença e pela perda. Em 2021, Yves passou dias entubado durante a pandemia e saiu do hospital com algo que não estava nos planos: uma amizade improvável que rapidamente se transformou em sociedade. Pouco tempo depois, surgia o restaurante que leva no nome um gesto simples e direto. Per Lui, para ele.

Desde o começo, o restaurante evitou o caminho confortável. Um único menu degustação, sem atalhos, sem concessões, renovado a cada ciclo. Uma escolha que poderia limitar, mas que acabou abrindo espaço para uma cozinha mais livre, menos preocupada em agradar e mais interessada em dizer algo. Com o tempo, o Per Lui deixou de ser aposta para se tornar referência, não apenas pelos reconhecimentos, mas pela coerência de quem prefere risco à repetição.

O Cucina di Pastaio, por sua vez, nasce de outra camada de memória. Uma temporada no Piemonte, onde Yves absorveu o rigor da tradição italiana, mas decidiu trazê-la de volta sem reverência cega. As massas são feitas à mão, como manda o ofício, porém carregam sotaque. O canastra entra no lugar do pecorino, o guanciale se adapta, e a cozinha revela que identidade está na forma como cada ingrediente encontra seu lugar.

Per Lui

Jantar a quatro mãos: 24 de abril
Funcionamento: quarta a sábado, das 19h às 0h
@perlui.restaurante

Cucina di Pastaio

Jantar a quatro mãos: 23 de abril
Funcionamento: quarta a sexta das 12h às 15h30 e das 19h às 23h, sábado das 12h às 16h e das 19h às 23h, domingo das 12h às 17h
@pastaiobh

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Prazeres da Mesa

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